Contra a Idolatria.

Publicado: 16 de agosto de 2017 por franciscgiselle em Cristianismo
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Estamos em tempos difíceis, são tempos de escassez, de miséria, caos é a crise política e econômica.

Os problemas sociais, avançam a cada dia, e quase não existe mais políticas, se é que existiu de fato.

O que vou apontar hoje, é a Idolatria por nossa parte, nossa relação quase religioso com as filosofias e ideologias no nosso cotidiano. E como isto, afeta nossa vida, e como Cristãos nós devemos, nos abster e ter certo cuidado.

Em provérbios 4.23, diz-se para guardarmos nosso coração, pois, é dele que procede as fontes de nossa vida. Sim, em nosso coração guardamos todas as nossas fontes, a vida. Mas, não vamos falar do órgão. E, sim dos nossos sentimentos e de como reagimos e acabamos caindo em pecado, colocar todas as nossas forcas naquilo que não é o amor, e a fé é pecado. Observei nos últimos dias, o quão somos capazes de chegar a extremidade de adorar tanto as filosofias a ponto de afetar a vida dos que estão ao nosso redor.

Olhemos, para o cenário político e vemos o nível de loucura em que as pessoas defendem sua posição política. Ofendendo umas as outras, agredindo-se em protestos, matando-se, até. Tudo em nome de algo, ou, de alguém que para eles é um Messias.

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Esquecemos de quem somos, e viramos apenas a massa que compõe determinada corrente filosófica, não somos mais um Cristão, ou, Cristã, somos “O fulano que segue A, B, ou C”.

Desfazemos amizades, o ódio criou raízes fortes em nossos corações, e deixamos nos levar por aquilo, que deveríamos manter distância, e viramos idólatras.

Sequer lembramos que em Filipenses, Paulo escreve que nossa pátria é o céu, e um dia estaremos a voltar para casa, onde não existe dor, onde o sofrimento acaba, e estaremos diante do Senhor, nosso Deus.

Quantos de nós, já não está cético, pedido e sem esperança?

Ou, perdeu a Fé e trocou-a pelo fervor e amor a Ideologia?

Ou, o pior de tudo, trocou Jesus pelo líder, ou autor político ?

Irmãos, Irmãs quantos de nós, deixou levar-se para longe de Cristo, e hoje só resta o ódio contra os semelhantes.

Nós, não podemos irmãos, deixar nossa Fé morrer, não podemos trocar o amor pelo Eterno, por seres que são iguais a nós, meros mortais que nada podem fazer por si.

A bíblia então, muitas vezes mal interpretada vira objeto de legalismo para que outrem justifiquem suas idolatrias, e tirem conclusões precipitadas a respeito de como se seguir a caminhada.

Levantemos, nossas cabeças, e devemos sim lutar contra a opressão dos fracos, devemos acolher os cansados e oprimidos, mas, acima de tudo, jamais esqueça que você, é um Cristão é que jamais deve viver sobre julho de correntes, seja ideológica, política, ou, econômica.

Gálatas 5.1

1 Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.

Cristo, lhe chamou para ser livre, sendo assim, jamais volte ou viva na condição de escravo.

E cuide, bem do seu coração, não permita que qualquer pessoa, filosofia, ideologia tome conta dele.

Sobre ser Igreja.

Publicado: 6 de agosto de 2017 por franciscgiselle em Cristianismo, Sociedade

A IGREJA DEVE ESTAR DE PORTAS ABERTAS PARA ACOLHER OS OPRIMIDOS, E CANSADOS.

Mateus 11:28, “28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Existe um dever Cristão em amar o próximo é uma EXIGÊNCIA para aqueles que querem seguir a Cristo. (Mc. 8. 34).

1.1. – Existe uma incompatibilidade em amar a Deus e também o pecado. Como Igreja devemos achar o equilíbrio entre amar os sujeitos, mas ajudá-los a vencer seus pecados, assim como eles a nós.

“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Marcos 12:30-31)

1.2. – Amar a Deus e ao próximo sem medidas. Amar o pecado? Não.

1 João 2:15-17. “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vêm do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.”

1.3. – A unidade é vital para que esse corpo permaneça forte. Igreja é uma assembléia, uma reunião dos discípulos para a formação e o preparo pra missão.

“Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” 1 Coríntios 12:27.

 Dispostos a ajudarem umas as outras, com o objetivo de trazer o Reino. Na comunhão, estão reunidas pela graça de Deus e Seu amor.

“Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só;”. Efésios 4:4.

1.4. – Como que uma instituição não-hierarquizada pode conservar o respeito mútuo?

“Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja.” Colossenses 1:24

1.5. – Segundo o Evangelho devemos nos cuidar e nos amar como Igreja, lembrando que somos todos membros de um mesmo corpo.

“Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos.”

Colossenses 3:15

Por que os “AnarcoCapitalistas”, não são Anarquistas.

Publicado: 3 de agosto de 2017 por franciscgiselle em Anarquismo, Economia, Política

O AnarcoCapitalismo, defende a iniciativa privada, agências privadas, e o capitalismo. Delegam a favor do capital no qual o pensamento Libertário/Anarquista se coloca como anticapitalista.

Entre as correntes do Anarquismo, temos coletivistas, individualistas, mutualistas, e outras. Correntes que posicionam contra esse pensamento falacioso que ancaps defendem. A Anarquia é baseada na negação do princípio da autoridade, do estado, onde não se tem mais governo, apenas indivíduos livres. A falácia dos ancaps, caí quando os mesmos demonstram seu comportamento extremo, mais parecido com conservadores, onde  a ideologia como algo místico, religioso. E são incapazes de aceitarem que admitir que seu sistema econômico levará ao acúmulo do monopólio pela classe dominante. E até mesmo o controle total de suas agências privadas, já que as mesmas segundos eles assumindo contratos “voluntários” são meios de garantir a ordem das coisas.

O AnarcoCapitalismo defende aquilo que o pensamento libertário e os Anarquistas desde o princípio são contra: O CAPITAL, a PROPRIEDADE PRIVADA, E SEUS FETICHES EM COLOCAR NAS MÃOS DE TERCEIROS (AGÊNCIAS, E TRIBUNAIS PRIVADOS, coisa que o estado já faz.) AS DECISÕES A SEREM TOMADAS SOBRE OS PROBLEMAS QUE PODEM OCORRER NA SOCIEDADE

Os Ancaps defendem feudos privados despóticos corporativos . Cidades Privadas, se fundamentam na falácia da hierarquia voluntária por contratos, ignoram a história social do mundo e da formação do estado, gostam de uma corporação, capitalistas e banqueiros. Defendem um conceito de propriedade lockeano, que foi refutado por proudhon que na prática fomenta a positivação da mesma acima até mesmo do individuo e sua auto propriedade, tratam o capital como essencial, são contra a autogestão, são deterministas sociais e econômicos, (os hoppeanos e blockanos) são anti-egoistas, coletivistas morais e aristocráticos, e vivem de punhetação mental, e nenhuma prática.

Não são anarquistas, no máximo voluntaristas lockeanos baseados um sistema extremo de conservadorismo liberal.

Sendo assim, os Ancaps são parte daquilo que Anarquistas posicionam-se contra: O Capitalismo e seus defensores.

1. – Por que somos contra as agências privadas, e tribunais.

A iniciativa privada, junto a seus tribunais, irão delegar a favor daqueles que tiverem condições de pagar por suas leis e formas de resolver os problemas que colocados em contratos irão agir contra aqueles que lesionarem seus titulares. Criando aí, uma punição entre os que não são participantes deste acordo, cria-se aí, uma classe dominante. Já, que se meu vizinho, não possuindo meios, ou condições para recorrer contra uma agência privada. Como posso eu, alegar que isto é liberdade? Como posso, pedir intervenção de um tribunal privado que ira punir aqueles que sequer podem recorrer.

Proudhon ampliou sua análise para além das instituições políticas, argumentando em “O que Propriedade?”, que o “proprietário” é “sinônimo” de “soberano”.

Para Proudhon:

“Capital”… no campo político é análogo a “governo”… A ideia econômica de capitalismo, as políticas de governo ou de autoridade, e a ideia teológica de igreja são três ideais idênticos, de várias formas, vinculados. Atacar uma delas é o equivalente a atacar todas elas… o que o capital faz ao trabalho, e o Estado à Liberdade, a Igreja faz com o espírito. Esta trindade do absolutismo é tão perniciosa na prática quanto o é na filosofia. O meio mais efetivo de oprimir os povos seria simultaneamente escravizar seu corpo, sua vontade e sua razão.

Sendo assim, o pensamento libertário não entraria em acordo com as agências e tribunais privados, assim, como não entra em acordo com os estatais, já que todos irão legislar a favor do proprietário, do opressor. As agências, reforçam o absolutismo dos donos do monopólio, escravizando de forma privada os trabalhadores. A diferença é a mudança no termo, retirar o estado, e dar a agência este poder. Pressionado dentro desta situação, o trabalhador sem saída, delega autoridade a um contrato, que os ancaps afirmam ser voluntário. Se a voluntariedade é delegar a autoridade a terceiros precisamente é uma deixa para permanecer o estado.

2. – Por que os Ancaps pensam com o feudalismo.

O feudalismo é o modo de organização social e político baseado nas relações servo-contratuais (servis). Sua origem aparece na decadência do Império Romano.

Quando referimos que o Ancap pensa como um senhor feudal, é pelo mesmo, basear os serviços contratuais naquilo que o feudo prega. As trocas que o Ancap pensa ser voluntária, não passa de mera exploração, entre alguém que domina e possuí toda a produção contra aquele que ganha somente por aquilo que produz, e no final acaba retomando este valor recebido para comprar pela mesma mercadoria que produz. Se o trabalhador está preso a terra, devendo obrigações ao senhor daquela terra isto, não é voluntário. No feudalismo o trabalhador é preso ao senhor feudal, no capitalismo é preso ao capitalista. O poder econômico que é concentrado nas mãos dos senhores feudais, é ganho através da exploração do trabalhador que para sobreviver submete-se a exploração. No Capitalismo, o poder econômico está nas mãos da burguesia comercial, financeira e industrial. Essa classe dominante que é dona do poder econômico, dita as formas e horários que o trabalhador deve produzir. O Ancap esquece-se que tanto os meios de produção, como as trocas voluntárias não são baseadas naquilo que é o capitalismo que fomenta e fortalece a prevalência do sistema visando o lucro, acúmulo de capital e enriquecimento daqueles que retém o Monopólio.

“Confiar ao monopólio capitalista a organização política da sociedade,é se submeter á lógica do poder monopolístico que é a do Estado governamentalista – quer seja o Estado oficial e real da ditadura proletário,quer seja o Estado real e oficioso da ditadura plutocrática ( agindo sob a cobertura de um Estado oficial reduzindo á impotência) .”
Trecho do livro: “Jean Bancal – Pierre Joseph Proudhon – Pluralismo e Autogestão”.

3. – Por que a Anarquia e o Capitalismo não se juntam.

O capitalismo tem como nas suas base a propriedade privada, liberdade de contrato, onde as trocas nos valores das moeda pela produtos é importante para a existência desse sistema, no anarquismo com suas várias formas o ideal é de ser igual para todos, os Anarquistas lutam pelo fim do Capitalismo, Estado por essas autoridades imporem o monopólio através da força. O anarquismo tem várias correntes mais com o propósito: lutar contra a opressão, é anticapitalista, e a liberdade, igualdade e fraternidade para todos. Isso muitas vezes é julgado impossível e poucos compreendem. Sendo impossível a união de Anarquismo e Capitalismo, já que ambos os dois são extremamente diferentes, de um lado o capital com seus governante onde visa o lucro material e privado, e no outro o anarquismo que preza a ausência de governo e propriedade privada.

 

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“Quando há em um Estado uma constituição qualquer, o poder se mantêm pela violência, poder que pode ser monopolizado por alguns homens, por meios diferentes. De qualquer forma, sempre haverá probabilidade de ocorrer os mesmos acontecimentos que agora ocorrem na Rússia – a guerra e a repressão dos revoltosos.”
Trecho de Leon Tolstoi em ‘Anarquismo e Cristianismo’.

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Daniel desempenhou um importante papel na política Babilônica. Fora levado para uma terra desconhecida, por um povo que atacou a sua nação, levou cativo os seus conterrâneos e continuaria por anos oprimindo a sua nação. Mas a Graça manifestou de forma surpreendente, que Daniel nunca causou mal àquele povo que facilmente poderíamos considerá-lo como infiel.
Na verdade só por isto mostra o quanto que Daniel compreendia o conceito de graça e misericórdia de Deus. Em uma sociedade cristã como a de hoje, em que mergulhamos em dicotomias, como lidaríamos com um povo que invade nossas terra e leva a população cativa e a escraviza? Facilmente consigo imaginar discursos com apelos religiosos, alegando que Deus vai trazer a sua Justiça e vai cortar a cabeça da serpente ou coisa do tipo.
Porém o que mais me surpreende na postura de Daniel, é o seu posicionamento diante legalistas que legislavam contra ele. O livro do profeta, relata algumas leis eram feitas para incriminar e perseguir especificamente Daniel e seus companheiros, não se relata que era para benefício da sociedade, mas sim perseguição política de uma classe de aristocratas querendo eliminar Daniel e companheiros.
Mas mesmo assim, Daniel em nenhum momento legislou contra os seus oponentes e nem mesmo para defender seu grupo de afinidade, no caso, os judeus perseguidos e cativos. Também nunca precisou elaborar leis que restringisse os atos pecaminosos daquele povo, que não eram poucos. Ele entendia o conceito coercitivo do governo, assim como Tolstói, na obra citada acima, aborda sobre o posicionamento do cristão diante o Estado:
“O cristão rechaça a lei do Estado porque não tem necessidade dela nem para ele nem para os demais, posto que julga a vida humana mais garantida pela lei do amor que professa, que pela lei sustentada pela violência.
Para o cristão que conhece as necessidades da lei do amor, as necessidades da lei da violência não somente não podem ser-lhe obrigatórias, como se apresentam diante dele como erros que devem ser denunciados e destruídos.
A essência do cristianismo é o cumprimento da vontade de Deus que não pode ser possível pela atividade exterior que consiste em estabelecer e aplicar formas exteriores de vida, a vontade de Deus é apenas possível pela atividade interior, pela mudança da consciência, e consequente melhora da vida humana. A liberdade é a condição necessária da vida cristã. A profissão do cristianismo livra o homem de todo poder exterior, e ao mesmo tempo lhe dá a possibilidade de esperar o melhoramento da vida que busca em vão pela mudança das formas exteriores da vida.
Os homens acham que sua situação melhora graças às mudanças das formas exteriores da vida, e, sem embargo essas mudanças nem sempre resultam em uma modificação da consciência.
Todas as mudanças exteriores das formas que não são consequência de uma modificação da consciência, não somente não melhoram a condição dos homens, como com frequência a agravam. Não são os decretos do governo que tem abolido a matança de crianças, as torturas, a escravidão, é a evolução da consciência humana que tem provocado a necessidade destes decretos; e a vida não melhora em passo mais rápido do que o passo do movimento da consciência, ou seja, a vida melhora na medida em que a lei do amor ocupa na consciência do homem o lugar antes ocupado pela lei da violência.”
Aliás, vale frisar este discurso moralista dos conservadores de serem os reguladores, ou como eles colocam, aqueles que preservam a moral da sociedade, em nada combina com o Daniel bíblico. O profeta em nada fez para legislar leis cujo o intuito era aplicar a força estatal os seus valores religiosos sobre um povo que ele não seguia tais valores.
O objetivo do Daniel era específico e assertivo, ele apenas deu testemunho e ganhou a alma do rei Dario. Seus atos eram para o benefício do povo babilônico, ele era conhecido por sua sabedoria e justiça, a ponto dos reinados passarem, três reis reinaram sobre Babilônia na época de Daniel, mas o profeta permanecia firme, e era bem visto por todos.
Os atos de Daniel foram tão marcantes que a própria bíblia relata o quanto que o rei ficou tocado com a postura de Daniel e sua fidelidade a Deus, a ponto do próprio Deus o guardar:
“Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada. Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e que permanece para sempre, e o seu reino não se pode destruir, e o seu domínio durará até o fim. Ele salva, livra, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele salvou e livrou Daniel do poder dos leões. Este Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario, e no reinado de Ciro, o persa.” Daniel 6:25-28
Com isso analiso o nosso comportamento. Tão ávidos a regular a posição do outro. Em embutir nossos conceitos morais aos demais. Ao mesmo tempo tão deficientes de Graça e testemunho. Tão fracos em nosso posicionamento, mas forte em exigir dos outros.

Em seu nome lançamos pedras

Publicado: 28 de dezembro de 2016 por Plínio em Cristianismo
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“Nesse sentido, devemos concordar com a visão do cristianismo e de outras religiões de que Deus é “bom”. Mas não vamos apressar o andar da carruagem. A Lei Moral não embasa a ideia de que Deus é “bom” no sentido de indulgente, suave ou condescendente. Não há nada de indulgente na Lei Moral. Ela é dura como um osso. Exorta-nos a fazer a coisa certa e parece não se importar com o quanto esta ação pode ser dolorosa, perigosa ou difícil. Se Deus é como a Lei Moral, ele não tem nada de suave. De nada adianta, a esta altura, dizer que um Deus ‘bom’ é um Deus que perdoa.”
Trecho de C. S. Lewis em ‘Cristianismo Puro e Simples’.
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Tenho refletido sobre a postura simplista de alguns religiosos de como tratam uma vida cristã. E fazendo uma analogia moderna penso em algo assim:

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não construímos templos em todos os lugares? em seu nome não compramos emissoras de televisão e rádio para levar nossa instituição aos quatro cantos? não legislamos as leis conforme as suas doutrinas? não sujeitamos o povo aos seus preceitos, mesmos os que não são seus seguidores? em seu nome não atacamos infiéis? não fomos nós que expulsamos de nossos templos aqueles que discordam de nós, e não fizemos ostracismo com eles? em seu nome não compramos bens e gozamos do luxo para mostrar uma recompensa espiritual? não foi em seus nome que capitamos muitos recursos para acumular em nossas instituições ou em nossas contas bancárias? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”
Poderia ser Mateus 7:22,23, se Jesus estivesse falando do povo hoje. Mas em Mateus 7 Jesus fala de um confronto a religiosos com coisas que eles fizeram boas, mas provavelmente com intenções erradas. Hoje vemos instituições totalmente perdidas, voltadas para si, e que ainda muitas coisas ruins são feitas, com as intenções mais torpes ainda.
Há uma falta de compreensão sobre o ministério de Jesus, e inclusive os mandamentos que ele deixou para nós. Amor. Em trecho de ‘Evangelho do Maltrapilho’, Brennan Manning, nos deixa claro sobre estas questões, e a quem Jesus considera próximo:
“Jesus, que perdoou os pecados do paralítico, reivindicando dessa forma autoridade divina, anuncia que convidou pecadores, e não os de justiça-própria, para sua mesa. O verbo grego usado aqui, kalein, tem o sentido de chamar um convidado honrado para jantar.
Jesus afirma, com efeito, que o Reino de seu Pai não é uma subdivisão para os justos nem para os que sentem possuir o segredo de Estado da salvação. O Reino não é um condomínio fechado elegante com regras esnobes a respeito de quem pode viver ali dentro. Não; ele é para um elenco mais numeroso de pessoas, mais rústico e menos exigente, que compreendem que são pecadores porque já experimentaram o efeito nauseante da luta moral.
São esses os pecadores-convidados chamados por Jesus para se aproximarem com ele ao redor da mesa de banquete. Essa história permanece perturbadora para aqueles que não compreendem que homens e mulheres que são verdadeiramente preenchidos com a luz são aqueles que fitaram profundamente as trevas da sua existência imperfeita.”
Voltando a nossa analogia, caberia dizer: “em seu nome é a puta que pariu”? Mas ao refletir melhor, uma comparação seria uma ofensa a várias mulheres que sem condições acabam comercializando uma das únicas propriedades que possuem e que é de interesse de outros, o corpo. Mas mesmo o ato sendo feita por dois, somente ela é recriminada. Afinal não existe um adjetivo pejorativo para o cara que paga uma prostituta.
Ah! Por falar em prostituta, isso me lembrou da Madalena, aquela que Jesus a livrou da condenação dos religiosos que queriam uma sociedade sem impurezas, com apenas cidadãos de bem. Mas Jesus disse para os que não tiverem pecado, que atirassem pedra, e com este embate, constrangidos eles avaliaram que ninguém seria capaz.
Porém hoje as pedras são lançadas a todo tempo.

“Que pretende o sistema? Manter, acima de tudo, a feudalidade capitalista no gozo dos seus direitos; assegurar e aumentar a preponderância do capital sobre o trabalho; reforçar, se possível, a classe parasita, proporcionando-lhe em toda a parte, com a ajuda dos cargos públicos, criaturas segundo as necessidades de recrutamento; reconstituir pouco a pouco e enobrecer a grande propriedade.”
Pierre-Joseph Proudhon

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Tem algum tempo que questionamos algumas incoerências daqueles que fazem culto ao Capital. Já abordamos que em um modelo sem intervenção estatal a economia tende a favorecer o monopólio, ao contrário que alguns ultraliberais dizem . Também que não existe Estado menos intervencionista e mais intervencionista. E também como o Anarquismo lida com as questões da Propriedade. Logo, percebe que já tratamos de alguns assuntos a respeito e já dá para ter ideia sobre a posição anarquista sobre estas questões.

O feudalismo fora um sistema firmado na Propriedade Privada, com a necessidade de maior segurança, na economia ainda predominava a agricultura e do trabalho servil. Para melhor exploração dos recursos, os proprietários, chamados de suseranos, concediam terras aos seus vassalos, que prestava serviços e fidelidade ao seu suserano. Já o suserano, era responsável pela proteção das terras, que claro, eram suas. Os proprietários exerciam o papel do Estado, cabiam a eles o papel de todos os poderes: econômico, jurídico, político.

Analisada a estrutura de uma sociedade feudal, podemos agora nos ater ao tema em si: anarcocapitalismo. Os anarcocapitalistas defendem a eliminação completa do Estado, para que a sociedade se organize através da propriedade privada. Sendo assim toda a relação humana, produção, trabalho, regulamentação, tudo seria pautado no direito natural, e fortemente estruturado através pela propriedade.

Ou seja, os anarcocapitalistas não lutam pelo fim do Estado, lutam para o estabelecimento de um novo Estado, firmado na Propriedade Privada. E claro que há como recriar Estado em um ambiente onde outrora um Estado havia deturpado, como previsto por Malatesta. Basta analisar as condições:

“A propriedade individual e o poder político são dois elos de uma mesma corrente que esmaga a humanidade; são como dois fios da lâmina do punhal de um assassino. É impossível libertar-se de um se não se liberta também do outro. Se abolirem a propriedade individual sem abolir o Estado, ao que ela se reconstituirá graças aos governos. Se abolirem o governo sem abolir a propriedade individual, os proprietários reconstituirão o governo.”
Por Errico Malatesta em ‘O Estado Socialista’

Derrubaram o Estado e um latifundiário que possua um grande território em terra chega a conclusão que a terra por si só não produz nada, então ter um pouco de terra ou ter muita terra não faz muita diferença. Este era exatamente o dilema dos suseranos.

Mas com muita terra pode se beneficiar com isso. Então deixa aberto a pessoas irem trabalhar na propriedade para que possam se sustentar. Pode chama-los de vassalos, se assim desejar. Ou se quiser algo mais politicamente correto, inquilinos, colaboradores, ou arrendatários.

Claro que é necessário estabelecer regras para que estas pessoas possam permanecer na propriedade de forma organizada. Então o proprietário, ou o suserano, cria leis. Nada mais legítimo do que ele criar as leis, já que é o dono, é ele quem dita as regras da propriedade. Usei a palavra “ditar”, pois ela é fundamental para esta percepção.

Nestas regras leis também algumas taxas a se cobrar do povo que vai produzir na propriedade. Afinal, a propriedade não lhes pertence, há uma concessão, logo nada mais belo e moral cobrar por isso, já que o povo está se beneficiando dela. Não existe filantropia, nem feudo grátis.

Mas e se as pessoas obedecerem as regras estabelecidas pelo suserano, como ele as fará valer? Ah sim, formar uma escolta. Contrata pessoas brutas que não querem trabalhar na propriedade em si, mas podem trabalhar diretamente para o suserano, fazendo as com que o povo siga as regras.

Pronto! Aí está o feudo, ops! O ancapistão. A necessidade de muros cercando fica a critério de cada proprietário. Pode tratar como algo mais decorativo.

Chegamos a conclusão que o que chamam de anarcocapitalismo é apenas a perpetuação do privilégio. Uma desculpa como muito bem descrito por Kevin Carson em ‘Estudos em Economia Política Mutualista’:

“Aparentemente, a receita para um “livre mercado”, da forma em que o libertário vulgar médio usa o termo, é como se segue: 1) primeiro roube a terra das classes produtivas por decreto estatal e as transforme em trabalhadores assalariados; 2) aí, através de terrorismo estatal, impeça-os de se movimentar em buscar de salários mais altos ou de se organizar para aumentar sua força de barganha; 3) finalmente, convença-os de que seus salários de subsistência refletem a produtividade marginal do trabalho em um “livre-mercado”.”

Este discurso visa exclusivamente para manter a classe trabalhadora submissa aos proprietários.

“O livre comércio, isto é, o livre monopólio, é a santa aliança dos grandes feudatários do capital e da indústria, a argamassa monstra que deve terminar em cada ponto do globo a obra começada pela divisão do trabalho, pelas máquinas, pela concorrência, pelo monopólio e pela política econômica; esmagar a pequena indústria e submeter definitivamente o proletariado. É a centralização em toda face da terra desse regime de espoliação e de miséria, produto espontâneo de uma civilização que começa, mas que deve perecer logo que a civilização tiver adquirido consciência de suas leis; é a propriedade em sua força e sua glória. E é para introduzir o consumo desse sistema que tantos milhões de trabalhadores estão famintos, tantas criaturas inocentes ainda amamentando atiradas no nada, tantas jovens e mulheres prostituídas, tantas almas vendidas, tantos caracteres emurchecidos! Se ao menos os economistas soubessem de uma saída para esse labirinto, de um fim para essa tortura. Mas não, sempre! Nunca! Como o relógio dos condenados, é um refrão do apocalipse econômico. Oh! Se os condenados pudessem queimar o inferno!”

Trecho do livro:”Sistema das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria” – Proudhon

anarquismo como combate ao capitalismo

Proudhon chamava este livre-mercado, ao que se referem os liberais, como livre-monopólio. Uma multinacional engoliria uma pequena empresa qualquer em um modelo de Capitalismo sem intervenção estatal. Digo sem intervenção estatal, pois é ilusão imaginar um mundo capitalista sem Estado, devido a questão do direito a propriedade, que necessita de um governo para existir. O que proponho é fazer um exercício de reflexão sobre o assunto.

Quem entende de economia e mercado sabe que um acumulador de bens possui vantagens que os demais não teriam. Tais vantagens eliminariam qualquer chance de concorrência, fazendo com que as menores concorrentes quebrassem ou fossem engolidas pelas maiores.

Uma empresa com uma produção maior compra insumos a preços mais baixos devido ao alto volume. Também devido ao mesmo volume, faz pressão no ponto de venda para posicionar a marca em locais estratégicos, garantindo mais visibilidade para os consumidores. Tem recursos para investir em melhores maquinários e em melhores mão-de-obra, o que aumenta a qualidade do produto. Tem condições para ter um grande sistema de distribuição abrangendo ainda mais a sua atuação geográfica, atingindo mercados diversos. Possui recursos para investir pesado em propaganda, o que favorece e muito nas vendas.

Vale ressaltar que por ter uma atuação em um âmbito geograficamente maior. Ela pode manter a sua indústria onde a mão-de-obra é ainda mais barata, ou qualquer outra vantagens. O que as pequenas concorrentes não podem, pois ficam presas as suas pequenas regiões de atuação. Quem sabe as grandes empresas, possam até regiões onde a fiscalização trabalhista não é tão efetiva, e poderia usar de mão-de-obra escrava.

Se ainda isso tudo não for suficiente, como se fosse pouco, ela pode reduzir os preços abaixo do valor de custo, que já é mais baixo, forçando todas as concorrentes a fazerem o mesmo. A questão é que a multinacional teria capital de reserva para manter-se por um bom tempo no prejuízo, enquanto as outras não.

Depois das concorrentes quebradas, o monopólio estabelecido. A tal multinacional poderia aumentar seus preços e colocar onde quisessem, já que ela controla o mercado. E caso surja novas concorrentes, basta repetir o processo.

Assim, chego a conclusão que mesmo sem um Estado intervencionista, se não houver oportunidades reais de concorrência, e isto inclui capital armazenado, não existe livre-mercado.

Então o que seria livre-mercado de fato. Proudhon jamais usara este termo, mas a sua proposta mutualista era um mercado e ele era livre, não só do governo, mas também dos acumuladores. E sobre isso, ele diz em um trecho de “O Que É Propriedade?”:

“Se os bens são propriedades, os proprietários são reis, e reis despósticos, reis em proporção de suas faculdades de ganância. E se cada proprietário é soberano na esfera de sua propriedade, rei inviolável em toda a extensão de seu domínio, como um governo de proprietários não seria um caos e uma confusão?”
Portanto, não há governo, não há economia pública, não há administração possível com a propriedade por base.
A comunidade procura a igualdade e a lei: a propriedade, fruto da autonomia da razão e do sentimento do mérito pessoal, almeja acima de tudo a independência e a proporcionalidade.
Mas a comunidade, tomando a uniformidade por lei e o nivelamento por igualdade, torna-se tirânica e injusta: a propriedade, por seu despotismo e suas invasões, não tarda a mostrar-se opressiva e insociável.
O que a comunidade e a propriedade querem é bom: o que produzem é mau. E por quê? Porque ambas são exclusivas e ignoram, cada uma por seu lado, dois elementos da sociedade. A comunidade rejeita a independência e a proporcionalidade; a propriedade não satisfaz a igualdade e a lei.
Ora, se concebemos uma sociedade fundada nos quatro princípios, igualdade, lei, independência, proporcionalidade, encontramos:
1.° – Que a igualdade, consistindo apenas na igualdade das condições, isto é, dos meios, e não na igualdade de bem-estar, a qual, com meios iguais, deve ser obra do trabalhador, não viola de nenhuma maneira a justiça e a equidade;
2° – Que a lei, resultando da ciência dos fatos, conseqüentemente apoiando-se na própria necessidade, não fere jamais a independência;
3.° – Que a independência respectiva dos indivíduos, ou autonomia da razão privada, derivando da diferença dos talentos e capacidades, pode existir sem perigo nos limites da lei;
4.° – Que a proporcionalidade, só admissível na esfera da inteligência e do sentimento, não na das coisas físicas, pode ser observada sem violar a justiça ou a igualdade social.
Essa terceira forma de sociedade, síntese da comunidade e da propriedade, nós a chamaremos LIBERDADE.
Para determinar a liberdade, não juntamos sem discernimento a comunidade e a propriedade, o que seria um ecletismo absurdo. Buscamos, graças a um método analítico, o que cada uma delas possui de verdadeiro, em conformidade com o anseio da natureza e as leis da sociabilidade, eliminando todos os seus elementos estranhos; e o resultado fornece uma expressão adequada à forma natural da sociedade humana, numa palavra, a liberdade.
A liberdade é igualdade, pois liberdade só existe no estado social e fora da igualdade não existe sociedade.
A liberdade é anarquia, pois não admite o governo da vontade, apenas a autoridade da lei, isto é, da necessidade.
A liberdade é variedade infinita, pois respeita todas as vontades nos limites da lei.
A liberdade é proporcionalidade, pois deixa um caminho aberto à ambição do mérito e à emulação da glória.”

Antes de concluir, precisamos reforçar que no mutualismo o trabalho assalariado não é encarado como troca voluntária, mas sim uma relação opressora entre empregador empregado, já que a troca voluntária seria uma relação entre os dois, mas o trabalho assalariado é uma hierarquização do empregador sobre o empregado.

Sendo assim, na proposta de Proudhon, ninguém poderia explorar do trabalho para enriquecimento. E um sujeito trabalhando sozinho não conseguiria enriquecer, e se trabalhasse cooperativado teria que repartir os ganhos.

Então chegamos a conclusão que liberdade é igualdade, anarquia, variedade infinita, e proporcionalidade. Entendemos que para ter um livre-mercado, é necessário se ater a estas características, no balanço entre comunidade e propriedade.

Logo, qualquer tipo de monopólio, acúmulo de bens, seria uma ameaça para a liberdade. Garantindo a liberdade do mercado com reais chances de concorrência entre os trabalhadores.