A bíblia social que incomoda os religiosos

Publicado: 25 de abril de 2016 por Plínio em Cristianismo
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“E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira.”
Lucas 3:11

compartilhar o pão

Há alguns trechos bíblicos que com certeza incomodam muitos religiosos a favor da propriedade, o qual, inclusive, são pontos fortes que me fazem acreditar que não adulteraram os escritos bíblicos, pois se o tivessem feito de fato, os teriam retirado. Claro que não falo de canonização de livros, mas sim de textos que incomodam muita gente.

Gostaria de citar duas partes em específico que abordam assuntos semelhantes. A começar pelas duas declarações em Atos sobre como a igreja vivia em comunidade, repartindo o que tinham, onde muitos vendiam os seus bens para compartilhar com os demais.

Alguns religiosos que defendem a exploração pela propriedade alegam que este comportamento não se refere a algo que deveria ser praticado, pois não fora uma ordenança de Cristo, mas sim uma decisão dos cristãos. Bem, tenho dois pontos a citar contra este argumento: o primeiro, sim é uma ordenança de Cristo, pois ele disse para repartirmos o que temos com o que não tem; se pegarmos uma comunidade, em que alguns membros vivem em determinados padrões de vida, e outros não, se os que vivem desta forma compartilhassem com os que não vivem, teríamos o experimento em Atos na prática.

Já outro ponto a citar, é desmerecer este comportamento como se não fosse algo a ser aplicado. Mas estes discípulos não eram homens de Deus, orientados pelo seu Santo Espírito? Se eles eram aptos a doutrinar as pessoas, porque o seu modo de vida deveria ser rejeitado e criticado? Rasgaríamos todos os escritos de Pedro, João, Judas e Tiago, pois eram adeptos do “comunismo”?

Se eles praticavam a partilha, vivendo em comunhão, muito melhor que muitos militantes de esquerda, que confesso não ver essa disposição em compartilhar nada, o que diriam eles das nossas comunidades na atualidade, na qual líderes formam verdadeiras castas, e sustentam o seu luxo mediante a exploração da fé dos cristãos?

Direciono ao segundo texto, que acredito que se tivessem oportunidade teriam tirado da bíblia, é o de Tiago, no qual se fala da acepção de pessoas. Inclusive, vale ressaltar que Tiago é um livro problemático quando se trata de justiça social, não é a toa que queriam de fato tirar o livro do Canon.

Mas em um texto Tiago rasga o verbo e fala sobre a tal acepção de pessoas, texto este, que por vezes é distorcido e usado de forma simplista, ignorando o seu real motivo. Sim, esta acepção de pessoas que Tiago se referia era de caráter econômico

Tiago denunciou o rico que explorava dos pobres e os jogavam para a “justiça” para serem condenados, enquanto os religiosos já infiltrados na igreja desde a sua época, davam lugares de honra para os ricos, com intuito de benefícios de ordem sociais ou financeiros.

Claro que há outros textos, inclusive que abordam a mesma questão, isto se encontra no Pentateuco, Salmos, em Provérbios, Eclesiastes, nos Profetas, nos Evangelhos e nas Epístolas. Na verdade a bíblia toda fala sobre justiça social, e se você anda ouvindo sobre um Evangelho diferente desse, aconselho ler mais a bíblia e ignorar o que andam te “ensinando”.

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