O machismo religioso-institucional nosso de cada dia

Publicado: 17 de junho de 2016 por Plínio em Cristianismo
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“Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos
e disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério.
Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? ”
Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”.
Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.
Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele.
Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? ”
“Ninguém, Senhor”, disse ela. Declarou Jesus: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”.”
João 8:3-11

Violência-contra-a-mulher

Em uma matéria sobre cristãs feministas, Thamyra Thâmara de Araújo, fez uma denúncia quanto a casos de machismo dentro de instituições cristãs. Ela relata algumas experiências, dela ou que presenciou, sobre casos de machismo frequentes, e faz uma lista dos mais populares.

A matéria fora muito elogiada, sendo compartilhada no Facebook por mídias alternativas que nem são cristãs. Isso só para se ter ideia da importância do tema. Não é de hoje que mulheres denunciam assédios e até violência dentre de congregações. Um lugar que teoricamente deveria ser um porto seguro para elas, acaba sendo um matadouro para algumas. Um projeto de cristãs que relatam vários casos do tipo é o Projeto Redomas, o qual também recomendamos.

Eu mesmo já conheci mulheres que relataram passar por rituais sexuais com seus líderes para expulsar demônios. Coisas que vemos como absurdos em jornais, pode estar bem ao nosso lado, basta darmos espaço para que o assunto seja falado.

Mas é exatamente isso que as instituições não querem, que falemos sobre o assunto. Claro que demorou pouco tempo para a Thamyra sofrer um ataque pelo seu post. Conservadores que estão muito bem confortáveis com os casos machistas dentro das próprias instituições. Não querem ninguém mexendo neste vespeiro.

Para eles denúncias do tipo são ataques a Igreja, porém esquecem que a Igreja, é a Noiva de Cristo, pura e imaculada, não suas instituições decrépitas e corruptíveis. Eles divinizam suas instituições, e colocam qualquer questionamento como um ataque a Igreja. É fácil manter este argumento para não ter que realmente lidar com os problemas internos. E assim se prolifera o silêncio, esta ditadura cultural que domina os ambientes religiosos.

De acordo com eles, não se mostram insensíveis aos casos. Mas é visível que eles se incomodam muito mais com uma mulher denunciando tais casos, do que os atos em si, só pelo fato de dispenderem tempo atacando a denunciadora, do que os machistas. É a velha prática da cultura do estupro, que criminaliza a vítima em detrimento dos machistas criminosos.

igor miguel

Thamyra fora atacada pessoalmente, não questionaram o post, apenas divulgaram um projeto o qual ela participou que apresentava fotos de vulvas, de acordo com os atacantes, tal projeto foge da ética sexual cristã.

O que fica óbvio aqui, é que para os conservadores, as mulheres cristãs não podem ser feministas. O que incomoda tanto eles a ponto de pegar uma matéria onde fala de cristãs sofrendo violência e fazerem um ataque pessoal dessa forma? Por que não se dedicaram tempo para apoiar as cristãs que estão denunciando abusos dentro das instituições, ao invés de tentar silenciá-las?

Fica visível que os conservadores estão mais sensíveis ao “companherismo” machista dentro das instituições que subjugam a mulher, do que as mulheres que estão denunciando tais abusos.

O site recomendado acima, Projeto Redomas, expressa exatamente o comportamento dos conservadores em um de seus relatos. É o caso de uma menina em um retiro na praia que fora assediada pelo pastor, casado. Quando denunciou o caso, a iniciativa da instituição não fora tratar com pastor, mas sim impedir as meninas de irem a praia de biquíni.

Assim como tal instituição, o comportamento dos conservadores ao verem uma crítica da Thamyra sobre o machismo nas instituições, não fora tratar o machismo localizado nas mesmas, fora questionar a autora da matéria, seu posicionamento, apresentando um projeto, que para eles fogem da “ética cristã da sexualidade”. O que abre a reflexão que para eles é mais ético cristão ser machista, do que colocar um varal com fotos de vulvas.

A realidade é que toda essa motivação conservadora se trata de uma guerra política contra os movimentos populares. Eles não querem que mulheres cristãs tenham discernimento da importância de militarem pelas causas pró-mulher.

Importante: se você tem conhecimento de algum caso de violência contra a mulher, denuncie. Ligue para 180.

 

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comentários
  1. Yara Carolina disse:

    Olá. Eu gostaria de entender um pouco melhor o que você está denunciando como um “ataque pessoal” à Thamyra, quando você escreve “Thamyra fora atacada pessoalmente” (sétimo parágrafo do seu texto). O texto cujo print figura em seu artigo de opinião está incompleto? Tem alguma continuação do texto? É que eu li o texto e não vi, realmente, nenhuma crítica pessoal. Vejo, sim, uma pergunta questionando Thamyra quanto a sua visão de “ética cristã da sexualidade”, que, a meu ver, seria bastante útil para entender as relações que ela estabelece entre vida cristã e sexualidade. Para mim, antes de um desrespeito, soaria mesmo como o desejo do autor do post de entender qual é o lugar (locus) de onde surge a crítica de Thamyra, nada mais. Pergunto novamente: o autor do post escreveu algo mais além do que aparece no print do seu artigo? Você poderia apontar, por favor, o que está considerando como “ataque pessoal” do post em relação a Thamyra. Gostaria de entender o seu ponto de vista, que, a princípio, parece-me ainda nebuloso. Agradeço imensamente.

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    • feliberatria disse:

      Olá Yara, tudo bem?

      O print não está incompleto. Inclusive dá para verificar isso onde a foto do perfil do usuário no Facebook está acima, e o link abaixo, e toda a descrição em texto entre estes dois elementos. Infelizmente não podemos disponibilizar os comentários, o qual também seria interessante analisar, já que teve muita gente opinando, alguns comentários foram bons outros péssimos.
      Então, nos referimos ao ataque pessoal pelo fato de ter sido compartilhado o link de um post sobre a possibilidade de ser cristã e feminista da Thamyra, onde o autor da crítica poderia descrever especificamente sobre o post, porém, se ateve a questioná-la, segundo a sua “ética sexual cristã”, um projeto particular da Thamyra. Você conhece o conceito da dialética erística de Arthur Schopenhauer o qual ele define os argumentos em ‘ad rem’ e ‘ad hominem’? Então o crítico autor da publicação podia tecer seus argumentos sobre a publicação da Thamyra no post do Folha (ad rem), porém direcionou apenas ataques a pessoa dela, a questionando sobre um projeto particular, que em nada tem relação com o artigo (ad hominem).

      Espero ter esclarecido a dúvida. Paz!

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