Como a farsa da Bancada Evangélica começou

Publicado: 9 de agosto de 2016 por Plínio em Cristianismo, Política
Tags:, , , , , , , , , ,

“E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas.
Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.
Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele,
Arraigados e sobreedificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças.
Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;”
Colossenses 2:4-8

bancada evangélica

Temos visto um grande estardalhaço com o caso do suposto estupro de Marco Feliciano a militante jovem do Partido Social Cristão (PSC) e youtuber, Patrícia Lélis. Este espisódio possui um importante papel decisório no quadro político do país, já que ele diz respeito direto a Bancada Evangélica, um dos principais apoiadores do presidente interino Michel Temer. A Bancada Evangélica foi fundamental no apoio ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) para virar as costas para o Partido dos Trabalhadores (PT) e derrubar Dilma da presidência.

Porém assim como o PMDB, a Bancada Evangélica, e principalmente o PSC, nem sempre foram oposição ao PT e a esquerda. Antes eles eram aliados políticos, muito bem alinhados em diversas regiões do país. Fizeram campanha pesada em apoio ao Lula, nos dois mandatos, e a Dilma no primeiro mandato.

De acordo Bruna Suruagy do Amaral Dantas em seu trabalho Religião e Política: ideologia e ação da “Bancada Evangélica” na Câmara Federal, vemos que a bancada teve uma progressão muito grande entre 1999 e 2003. O qual consolidou no cenário político cinquenta e sete deputados federais vinculados a treze denominações distintas, sendo a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus as mais predominantes. Bruna atrela esta progressão à expansão eclesiástica das instituições evangélicas, principalmente as pentecostais.

Neste período grande parte da Bancada Evangélica estava coligada com o Partido dos Trabalhadores, como por exemplo, o bispo da Assembleia de Deus, e presidente da Conamad (Convenção Nacional das Assembleias de Deus), Manoel Ferreira, grande amigo de Lula e metido em várias acusações de corrupção, conhecido por sua ganancia e recorrestes golpes. Também os senadores eleitos em 2002, Magno Malta do PR-ES e o Marcelo Crivella do PL-RJ, que ambos apoiaram Lula desde a sua primeira eleição.

Já no Rio, foi formada uma grande chapa que uniu Anthony Garotinho (PR) e Benedita da Silva (PT). Inclusive dessa chapa começou a surgir uma figura frequente, que é o Pastor Everaldo. Que futuramente se afiliaria ao Partido Social Cristão como vice-presidente, e depois de dez anos assumiria como presidente do partido. Figura hoje bem conhecida, principalmente por uma denúncia de violência contra a ex-esposa, e também fora acusado de oferecer suborno a jornalista Patrícia Lélis para ela ficar calada, quanto ao caso do Feliciano e fracassando a ameaçou de morte.

Inclusive a coligação era tão bem alinhada que dentro do Partido dos Trabalhadores também haviam expoentes significativos na Bancada Evangélica. A mais proeminente deles provavelmente é a já citada Benedita da Silva, do PT-RJ. Mas há outros, que inclusive Bruna Dantas relata que eles sentiam que o partido os restringia de votarem como queriam, sendo obrigados a seguir a pauta do partido, já que o partido exige que votem em conformidade ideológica. Inclusive dois deputados federais, em 2009, tiveram seus direitos partidários caçados pelo Partido dos Trabalhadores.

Já em 2003 a 2007, segundo Bruna Dantas, foram eleitos sessenta e seis congressistas da Bancada Evangélica, incluindo quatro senadores. Com um grande destaque na Igreja Universal, com vinte e dois deputados e um senador. Vale relatar que o bispo da Universal, Deputado Carlos Rodrigues do PL-RJ, fora o líder da Bancada Evangélica no Congresso na época.

Foi neste período que começaram algumas discordâncias entre estas coligações, principalmente no que se diz respeito aos movimentos sociais, luta por direitos do público LGBTT e a questão do aborto. Mas também foi o período que surgiu a CPI das Sanguessugas onde consta vários envolvidos da Bancada Evangélica. A CPI das Sanguessugas foi responsável pela grande redução da Bancada Evangélica em 2011, de setenta deputados, apenas 17 foram reeleitos, resultando um total de trinta representantes da bancada.

Este histórico de corrupção se arrasta até os dias de hoje. Impressiona ver políticos que usam tanto o discurso religioso, e usando o nome de Cristo para perpetuar a opressão de uma classe aristocrática e se vincular a tanta corrupção assim. É importante ressaltar que o Portal Transparência declarou que a maioria dos deputados evangélicos responde a processos judiciais.

Silas-Malafaia-apoia-Lula02Apesar de não ser política, mas outra figura importante para estudarmos a ação da Bancada Evangélica e seu objetivo de assumir o poder, é o pastor da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia. Quem vê o Silas hoje associando o PT a um governo demoníaco, nem tem ideia de que ele fez forte campanha para o partido quando se aliou ao Lindbergh Farias. Mas isso não é novidade já que há longas datas Malafaia apoiava Lula como mostra a imagem ao lado. Os motivos são óbvios como muito bem pontuado por Julio Severo que se trata de preservação de espaço evangélico nas mídias.

feliciano 13Mas voltemos ao Marco Feliciano, pastor da Assembleia de Deus, com certeza uma peça fundamental nesta história. Ele foi eleito em 2010, mas já entra no cenário político com escândalo de envolvimento com propina associado ao Grupo Scamatti. Também coligado com o Partido dos Trabalhadores, fez campanha pesada a favor da Dilma na presidência em 2013. Feliciano fora eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, episódio que marcou o racha entre o PT e Bancada Evangélica.

Talvez a figura da Bancada Evangélica mais citada nos últimos meses com envolvimento na corrupção seja o deputado do PMDB-RJ Eduardo Cunha, membro da Igreja Sara Nossa Terra, e fortes vínculos com a Assembleia de Deus. Com um histórico vasto de vínculos com o que há de pior no cenário político brasileiro, Cunha teve o seu mandato como Presidente da Câmara caçado por forte envolvimento com corrupção, e esbanja de sua forte influência no cenário político, alegando ainda que se ele abrir a boca, vários políticos irão sofrer consequências.

O que quero chegar é no questionamento de que se a Bancada Evangélica, o qual a maioria de membros pertence a correntes pentecostais, e julgam receber orientações diretamente de Deus através de profecias e revelações, o qual até mesmo o onde constam como emissários do mesmo. Por exemplo, Silas Malafaia, convocou o povo para participar de um ato profético pelo Impeachment da Dilma Rousseff, como eles não perceberam antes que o PT realmente representa tanto o mal que a Bancada Evangélica diz, um governo satânico, responsável por toda a corrupção política do país? Como Deus não os alertou da tal serpente quando eram aliados e tiravam vantagens políticas? Até porque os casos dos escândalos das CPIs referem à época em que eram aliados. Será que Deus foi omisso para com eles, entregando-os em uma cilada?

Creio, sinceramente, que Deus não faria tal coisa, creio na realidade, que eles não possuem revelação alguma de Deus. Do contrário não teriam se aliado ao PT, e nem muito menos estariam aliados ao PMDB, PSDB, DEM e outros partidos tão envolvidos em escândalos. O objetivo é que estes líderes religiosos e políticos sempre utilizaram de recursos midiáticos para propagar seus patrimônios e poder. Começaram a ingressar nos meios políticos visando tal objetivo e para promover o seu institucionalismo condenado pela fé cristã, mas perceberam que além da mídia, poderia controlar a política. Eles, como qualquer outro político, escolhem os seus “malvados favoritos” de acordo com os seus interesses políticos, e que usaram da aliança do PT na época para se promoverem e chegarem ao patamar que se encontram hoje, e agora estão se estruturando como a direita conservadora, para assim tornarem mais e mais absolutistas os seus desejos na política. A Bancada Evangélica não está a favor da família, e é a representação do nazi-fascismo de nossa sociedade, o que já relatamos ser um perigo.

 

Anúncios
comentários
  1. emanuel disse:

    muito bom o artigo parabens!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s