O cristão e a pena de morte

Publicado: 26 de outubro de 2016 por Plínio em Cristianismo
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“Jesus, porém, foi para o Monte das Oliveiras.
E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava.
E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério;
E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando.
E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?
Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.
E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.”
João 8:1-7

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Nestes dias tenho visto muita gente se manifestar a favor da pena de morte. Todos os conservadores sedentos por sangue, em buscar soluções sociais que resultem em sangue. Não consigo conceber a ideia de um cristão apoiando a pena de morte. Vai contra todos os princípios cristãos contra a vida. Jesus deixou isso bem evidente em João 8, quando se depara com a mulher adúltera em risco de ser apedrejada.

O apedrejamento era uma prática comum na época para lidar com este crime, crime este previsto pela Lei Mosaica. Jesus anulou a ortodoxia e normatividade da Lei, para aplicar a Lei da Graça, a misericórdia. O meio que Jesus fez isso foi a empatia, ele fez os acusadores se colocarem no lugar daquela mulher, e serem julgados pelos pecados que muitas vezes só eles sabiam.

Uma vez, não me lembro onde, vi uma reflexão sobre a lei do “olho por olho, dente por dente”, contida tanto no Código de Hamurabi, quanto na Lei Mosaica, que com a nossa perspectiva torta conota algo relacionado a vingança, mas que no sentido deveria ser que não ultrapassasse daquilo. Ou seja, se alguém lhe tirou um olho, você tem direito de responder até que ele perca o olho, e não como uma vingança, mas sim um limite para a pena.

Estou dizendo isso, para demonstrar como temos tendência de deturpar as coisas seguindo nossos desígnios carnais, e abraçar a bestialidade sanguinária. Mas e quando nós somos os praticantes do delito, aí sim, merecemos a maior de todas as misericórdias, fazemos vários “poréns’ várias considerações e justificativas pelos atos cometidos.

E este é o sentido do cristianismo, amar o próximo como a ti mesmo, ou não fazer com o próximo o que não queremos que seja feito conosco. Estes dois ensinamentos são a base social do cristianismo. São eles que diferenciam de todas as filosofias e religiões. Eles superam até a Lei do Retorno em ensinos como o dos budistas, por exemplo, pois o martírio cristão é algo aberto, o cristão se coloca como perseguido e injustiçado não esperando uma resposta positiva quanto a isso.

Os fariseus queriam apedrejar aquela mulher, hoje os fariseus modernos querem a pena de morte. Nada mudou. E assim como antes, eles usam de discursos moralistas e religiosos para tal, pois não conseguem sentir compaixão, não possuem misericórdia. A mesma misericórdia que Jesus ensinou a termos quando disse sobre visitar presos. A mesma misericórdia em que Jesus abraçou o ladrão crucificado.

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