FAQ – Perguntas frequentes

perguntas frequenstes
Principais Dúvidas:

O que é Cristianismo?
Trata-se de uma religião monoteísta derivada do judaísmo que crê que Jesus Cristo é Deus e que se encarnou para salvar a humanidade. As premissas do Cristianismo são baseadas nos ensinamentos de Cristo. Apesar das várias interpretações de tais ensinamentos, que geram vários grupos distintos de cristãos, não nos ateremos em explicar um conceito predominante, pois não acreditamos que tenha um tal predominância, deixando a critério do leitor optar pelo que para ele faz mais sentido.
A religião começou no Oriente Médio, entre judeus e gentios que tiveram contato com os ensinamentos de Jesus, depois de sua ressurreição e partida para se sentar ao lado de Deus (Pai), e foi se propagando por toda a região do Império Romano.

O que é Anarquismo?
A palavra “anarquia” vem do grego – prefixo an (ou a), significando “não”, “que não quer”, “a ausência de”, ou “a falta de”, unida a archos, significando “um governo”, “diretor”, “chefe”, “pessoa em um cargo”, ou “autoridade” – e significa “ausência de um governo”.
Trata-se de uma teoria política que visa à horizontalidade da sociedade, sem nenhum tipo de autoridade individual que coloque uma pessoa sobre a outra, seja através de poder político ou econômico. Logo, anulando qualquer tipo de hierarquia opressiva dentro da sociedade.
O anarquismo predominou nos movimentos populares como socialismo libertário, pois, contraria todo e qualquer regime pós-revolução para levar a sociedade ao comunismo. Os anarquistas acreditam que, caso haja uma revolução, a sociedade em si deveria se organizar de forma autogestionada e não estabelecer líderes e governantes.
Como o anarquismo não preza por uma autoridade e todos são livres para pensar, possui diversos teóricos, cada qual com suas particularidades e seus posicionamentos. Não existe um indivíduo que seja considerado a reter o conceito exato do anarquismo, por isso há diversas correntes e até mesmo entre os autores de uma mesma corrente há diferenças de certos pontos de vista. Os teóricos do anarquismo que mais se destacaram foi Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin, Piotr Kropotkin, Emma Goldman, Alexander Berkman, Errico Malatesta, Luigi Galleani, Camillo Berneri, Murray Bookchin, Voltairine de Cleyre, Lucy Parsons, Benjamin Tucker, Max Stirner, dentre muitos outros.

Pode o cristão ser anarquista?
Mesmo que as instituições religiosas aleguem que não, o próprio Jesus fez declarações importantes a este respeito. A princípio, Ele cita o “príncipe deste mundo”, ou governante, como seu inimigo – alguém que rege todo o Sistema Mundial. Inclusive, quando Jesus jejuou no deserto, este governante, ofereceu a ele todos os reinos do mundo caso Jesus o adorasse.
Há outros pontos que Jesus se coloca como anti-hierárquico até mesmo entre seus discípulos. Ele ensinou, e mais de uma vez, que aquele que quiser ser maior que o outro deveria servir. Uma verdadeira lição de humildade que contradiz todo o princípio hierárquico religioso que vimos nas instituições, pois implantam um clero, e este está acima dos fiéis.
Jesus também condenou todo o sistema religioso que afasta Deus dos homens, dizendo que o Templo seria destruído e construído em três dias, se referindo o período de sua morte até ressurreição, representando essa construção em nós mesmos, através do vínculo com o Consolador, o Espírito Santo. (precisamos discutir a interpretação dessa passagem bíblica) Ou seja, quando Jesus morreu, foi rasgado véu do Santo dos Santos, um lugar do templo que os judeus acreditavam abrigar a presença de Deus, o qual apenas o sumo-sacerdote teria acesso, representando que através do Espírito Santo, todo cristão não dependeria mais da casta religiosa dos levitas, e nem de nenhum religioso, para te acesso a Deus.
Quando Jesus disse “dê a Cesar o que é de Cesar”, não estava aprovando a exploração do Império Romano a Israel, mas estava sim, alegando que aquele sistema regimentado estava sob domínio da força de Cesar, a ele pertencia as autoridades, o ouro em sua moeda cunhada, as autoridades romanas, e toda a estrutura que o Império levou para aquele lugar pertencia ao sistema político vigente. Isto porque o texto trata de fariseus que fizeram um questionamento a Jesus com o intuito de criminalizá-lo. E Jesus sabiamente deu uma resposta evasiva, pois é claro que a exploração de Roma sobre Israel não era justa, pois era uma exploração coerciva, através de força militar.
O cristianismo sempre foi subversivo, desde Jesus até os discípulos, que tiveram que enfrentar as autoridades religiosas e políticas de sua época, serem marginalizados, perseguidos e martirizados, para pregarem o Evangelho.
– Contra a hierarquia: Mateus 10:25-27
– Deus não escolhe governantes: Oseias 8:4
– Não ameis o mundo (sistema, governo): 1 João 2:15
– Devemos desobedecer para fazer o que é justo e beneficia a sociedade, tal como anunciar o Evangelho: Atos 5:29
– Os discípulos viviam em comunhão e repartiam suas posses: Atos 2:42-47
– Deus condena aquele que explora do pobre: Tiago 5:1-5

Pode o anarquista ser cristão?
Apesar de muitos anarquistas discordarem, principalmente baseados nas críticas de alguns anarquistas ateus contra as instituições religiosas, de modo geral, acreditamos que o conceito de liberdade no anarquismo se estende até na sua crença, ou seja, o anarquista é livre para crer no que desejar. Não existe um fundamentalismo que o incite a acreditar em algo, ou até mesmo a não crer. Por isso existem anarquistas ateus, cristãos, islâmicos, budistas, espíritas, neopagãos, e de toda a variedade de crença.
Claro, que a premissa do anarquista é a rejeição a toda e qualquer hierarquia religiosa. Logo, compreende-se que o anarquista, apesar de poder crer em alguma divindade, repudia qualquer doutrina que coloque qualquer sacerdote como porta-voz desta divindade, e principalmente que esta posição hierárquica traga privilégios políticos.
Proudhon suas críticas a autoridade e a religião.
“O encadeamento dessas três manifestações da autoridade é um claro para Proudhon. Identificada por ele ao misticismo integrista . “a religião é autoridade e subordinação ,dependência a justificação da razão de Estado”.”A esta razão de Estado do céu” , a esta subordinação das vontades á “vontade do alto” , ou ás vontades que se pretendem como tais , “não demoram a se somar a razão de Estado do sacerdócio a seguida da razão de Estado do príncipe e de um monte de exceções” , tal como a exceção da propriedade capitalista.Assim,o homem abstração feita de suas crenças ,deve declarar “que para ele , Deus é o mal ( Jésus ,p ,326; Êcrits sur la religion , Êd Riviéve ) . Proudhon,após esta blasfêmia aparente explicita bem claramente seu sentido unicamente social, “Não que Deus seja mau,mas porque sua intervenção” ou ainda, a pretenção emitida em seu nome “nos assuntos humanidade só produz mal…..pelos abusos,superstições , alienação que ela acarreta” (Justice, les personnes, t,II p, 412) , Não é Deus em si que Proudhon critica – “em metafísica eu admito Deus,mas nego-o em qualquer outro plano” , ( Justice,les idées) – mas sim a adoração do homem pelo homem, a autoridade do homem sobre o homem,sob a cobertura de Deus. Sob a máscara de uma mística teísta ,humanista ,materialista , a humanidade se adora como autoridade e justifica o governo do homem pelo homem,o estadismo , e a exploração do homem pelo homem,o capitalismo. Ê o que Proudhon esclarece a um padre que o interroga: “A critica que fiz da idéia de religião é como todas as críticas que fiz da autoridade” ( Carta ao Abade X ,22 de janeiro de 1849, Correspondente,t , II, p114).”
Trecho do livro: “jean bancal – pierre joseph proudhon – pluralismo e autogestão”

 

Algumas sugestões de livros:
“O Que É Propriedade” de Pierre-Joseph Proudhon;
“A Conquista do Pão” de Piotr Kropotkin;
“Estatismo e Anarquia” de Mikhail Bakunin;
“Discurso da Servidão Voluntária” de Étienne La Boiétie;
“Anarquia e Cristianismo” de Jacques Ellul;
“O Reino de Deus Está em Vós” de Leon Tolstoi;
“Anarquia Cristã” de Vernard Eller;
“A Lei e a Autoridade” de Piotr Kropotkin;
“A Ilusão do Sufrágio Universal” de Mikhail Bakunin;
“Sistema das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria” de Pierre-Joseph Proudhon;
“Evangelho do Maltrapilho” de Brennan Manning;
“Princípio Federativo” de Pierre-Joseph Proudhon;
“Maravilhosa Graça” de Philip Yancey;
“Cristianismo e Anarquismo” de Leon Tolstoi;
“Chega de Regras” de Larry Crabb;
“Cristianismo Puro e Simples” de C. S. Lewis;
“Minha Religião” de Leon Tolstoi;
“Porque Sou Anarquista” Rudolf Rocker.

Faça também a sua Pergunta:

Olá. Tenho lido recentemente sobre anarco cristianismo e me identificado muito com essa filosofia de vida.

Gostaria de saber como é a visão do anarcocristão sobre a liberdade pessoal e direitos civis das outras pessoas, como nas questões de diversidade afetiva, formações familiares e etc.

Vou usar como exemplo a questão dos homoafetivos. 

Eu sou cristão. Ponto. Guardo para mim todos os valores de Cristo no que diz respeito a família. Pretendo me casar, ter meus filhos e repassar esses valores a eles, mas acho erradíssimo o que algumas instituições religiosas fazem ao querer impor esses valores a outras pessoas, principalmente através da politica, como fazem a bancada evangélica. 

Minha filosofia de vida sempre foi: deixe as pessoas fazerem o que acharem melhor para elas, desde que não me machuquem ou tirem minha liberdade de fazer o que é melhor para min. Não me importo se os valores na sociedade estão mudando, eu só quero ter MINHA liberdade de fazer o que é melhor para min e a minha família, e cabe a Deus, não a min, julgar as pessoas por suas decisões.

E essa minha linha de pensamento que tem me afastado das instituições religiosas, já que na cabeça da maioria dos cristãos, o fato de eu não me opor politicamente a essas liberdades individuais é sempre interpretado como se eu concordasse com esses valores.

Paz e liberdade.

Olá John, paz!
Agradecemos pela pergunta, ela é muito pertinente, inclusive estávamos pensando em fazer uma publicação a respeito do assunto, e creio que a sua pergunta veio em boa hora.

Primeiramente, esclarecemos que como corrente do anarquismo não existe algo como ‘anarcocristianismo’, alegar que existe um anarquismo cristão, é o mesmo que alegar que este anarquismo é diferente do anarquismo. E também teria o anarquismo ateu, o umbandista, o kardecista, o budista, dentre as tantas outras religiões, um anarquismo para cada tipo de fé.

Então o que existe?

Existem anarquistas que possuem a crença na fé cristã, assim como existem outros que possuem ou não crença nos mais diversificados tipos de fé. E como anarquistas, eles não se diferem em nada.

Sobre as questões dos homoafetivos, reforçamos aqui sempre a liberdade de cada indivíduo de fazer o que quiser com a sua vida. E que nada muda cristãos fundamentalistas discursarem ou regularem por meio estatal a vida de um homossexual, já que impedi-lo da prática não traz salvação, pois a doutrina cristã não ensina que a Salvação vem pela obra, pois todos pecamos de qualquer forma.

Dizemos também que não é o homem que convence do pecado e do juízo, mas sim o Espírito, para ficar condenando a prática. Isto só impede a liberdade dos indivíduos. Fora que só traz problemas sociais no sentido de polarizar os meios políticos, favorecendo políticos de ambos os lados que usam destas disputas para se promoverem.

Aí entramos no que você falou sobre a Bancada Evangélica querer impor um padrão de modelo de família à sociedade. Modelos que eles mesmos não seguem, já que muitos estão no seu segundo ou terceiro casamento. Por aí só, já vemos a hipocrisia. Se o casamento é uma instituição divina, então por que eles levam de forma tão leviana, totalmente descartável? Vários anarquistas já pontuaram sobre, ninguém é propriedade de ninguém, toda relação é de comum acordo e em âmbito de igualdade, e são livres para se relacionarem como quiserem.

A sua linha de pensamento está muito boa. É mais ou menos por aí. Usamos sempre o exemplo de Daniel, que vivia em uma sociedade imoral, foi introduzido na política, o qual foi conselheiro de três reis, poderia ter influenciado estes reis a legislarem conforme a sua moral, mas não, ele se posicionou fielmente, e preferiu servir de exemplo. Infelizmente hoje os evangélicos em destaque não são exemplos de nada, logo recorrem a regular por meio ao Estado coercitivo.

Abraços!

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É possível ser Anarquista e a favor da Propriedade Privada simultaneamente?

Por Daniel Leite M Lima

Olá Daniel. Agradecemos a sua pergunta que é um dos pilares das ideias anarquistas.
Não. Definitivamente não. A propriedade privada é um direito, concedido e garantido pelo Estado. Sem Estado não há propriedade. Praticamente todos os autores anarquistas abordam o tema, cada um com suas respectivas opiniões e sugestões de modelos político-econômicos para estruturar uma sociedade, mas todos concordam que não pode haver Propriedade Privada e nem Estado.

Os Propriedade e o Estado, são duas estruturas que necessitam uma da outra para coexistirem. E volta e meia, há movimentos que propõe o fim de um, mantendo o outro. O que não resulta em nada, pois este que é derrubado é apenas assimilado pelo outro, foi o que ocorreu nas revoluções socialistas, onde o Estado assimilou a Propriedade, e é o mesmo que aconteceria se combatesse o Estado e mantivesse a Propriedade, a Propriedade faria o papel do Estado, como era no Feudalismo.

É por isso que a proposta anarquista é o fim do Estado e da Propriedade Privada. A Propriedade passa a ser coletiva, sendo que a posse pode ser individualizada, dependendo do tipo de modelo econômico adotado.

Paz e Liberdade!

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A anarquia não se submete a autoridades, mas reconhece a autoridade de Deus?

Por Hare Brasil

Paz Hare. A sua pergunta é muito importante para nós. Pois ela trata das dúvidas que alguns anarquistas tem sobre o cristianismo. Mikhail Bakunin disse de forma bem expressiva: “Se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir.” Admiramos muito Bakunin, e vemos sempre suas críticas voltadas as instituições, apesar do materialismo dele o colocar numa posição bem cética quanto a crer em uma divindade, mas ele sempre direcionou a críticas às instituições religiosas que eram usadas para alienar a sociedade para perpetuação do poder e da exploração. O que é um fato. Por isso nos opomos a instituições que usam da fé para apoiar a coerção, seja ela qual for.

Porém partimos da premissa que Bakunin convivia com Proudhon, apesar de se intrigar com a crença de Pierre-Joseph Proudhon, ele não o censurava ou o condenava por isso, e nem alegava que ele não era anarquista. Proudhon não era cristão confesso, porém declarava abertamente que a bíblia era um dos principais objetos de consulta sobre assuntos sociais. Piotr Kropotkin, era ateu assim como Bakunin, porém ao relatar sobre os cristãos anabatistas, ele chegou a alegar que eles praticavam o anarco-comunismo, ou seja, para Kropotkin a crença não interferia em ser ou não anarquista. Partindo dessa premissa chegamos ao entendimento que o anarquista deve ser livre em tudo, inclusive em optar no que deseja crer. Qualquer ação que coaja um indivíduo a crer ou não em algo, ela não é uma ação anarquista.

Lidamos com o contexto anarquista, agora podemos explicar melhor a questão da autoridade de Deus. O anarquista cristão repudia de fato todas as autoridades, mas crê na autoridade de Deus. Primeiro porque a crítica anarquista as autoridades é que ela é coercitiva ao homem, ela é egoísta, e prejudicial. Quando um governante assume o poder, mesmo em um sistema representativo, os anarquistas alegam que ele age por interesses próprios. Porém o cristão não acredita que o seu Deus que fez e refez alianças para manter o relacionamento com o povo, que em amor enviou Jesus para resgatar a todos, seja este tipo de autoridade. O cristão acredita que Deus é sábio, bom e amoroso.

Há a questão também da liberdade que Deus nos concede. Aí podemos discordar de outras correntes cristãs quanto essa liberdade, mas acreditamos que Deus nos deixa livre para gerir a nossa vida, inclusive para nos prejudicarmos. Quando Deus fez Adão, você pode encarar este trecho como simbólico ou como literal, mas no contexto geral não muda muito o que vamos alegar, Deus disse para Adão cuidar da terra, a palavra usada também se encaixa gerir. Ou seja, é responsabilidade do homem gerir o que ocorre aqui no mundo. E as intervenções de Deus neste processo são pouquíssimas.

Então concluindo, Deus tem a autoridade, pois é onipotente, porém ele nos permite agir e nos organizarmos. E vimos Deus, o todo-poderoso segundo a fé cristã, se curvando aos pedidos de homens como Moisés e Abraão, quando era clara a Sua vontade contrária. É nisso que Vernard Eller chamada de “Anarquia de Deus”.

Saudações libertárias!

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Bom dia!

Recentemente estive com um amigo que me chamou a atenção algo que me pergunto constantemente sobre a participação de Paulo de Tarso no evangelho.

Este amigo disse em suas palavras que “Dá para se ter dois cristianismos com Paulo e com Jesus”.

Antes de rechaçá-lo preciso buscar entendimento a como ele chegou a esta hipótese.

Ultimamente verifico que nas igrejas de modo geral, as cartas paulinas são mais utilizadas para as pregações de ensino e proselitismo do que os evangelhos sinópticos e de João. Minha opinião, principalmente sobre Paulo, é que suas cartas retratam um Paulo metódico… MAS QUE NÃO necessariamente lhe seja em sua totalidade.
Por exemplo, Paulo pode ter escrito e feito milhares de outras coisas fora do cânon que talvez mostrasse uma “outra personalidade” dele.
Independente das possibilidades infinitas que a nossa imaginação nos permite, o fato que a abordagem de Jesus de Nazaré, radical, carpinteiro, que andava com pescadores, é diferente de Paulo (no que tange aos registros das escrituras).

Até que enfim, a pergunta:

Até que ponto as lideranças religiosas usam ou abusam das doutrinas paulinas e de seus escritos para justificarem seus excessos (excessos que por muitas vezes beiram ao paganismo)? Será mesmo uma realidade essa discrepância entre o que Jesus disse e o que Paulo disse a ponto de causar divergências no corpo de Cristo e até que ponto isso influenciaria em nosso tempo?

Deixo aqui minha opinião é de que a maioria dos erros causados pela I.Católica ainda são reproduzidas no meio “evangélico” e que Jesus deveria ser o modelo/centro/padrão de vida. Todos os homens que o serviram são honráveis pelos seus atos e participações no reino, mas absolutamente não devem ser tratados como especiais, INCLUINDO os que participaram da composição do cânon do novo testamento.

Por Lucas Barreto

Olá Lucas. Sua pergunta é muito interessante. De fato alguns teólogos questionam isso. Além dos teólogos, temos aqui na Página como uma das nossas admirações o autor anarquista cristão, Leon Tolstói que aplicava o mesmo dilema. Até aqui internamente já levantamos estas questões, e já nos balancemos muito sobre o assunto.

A nossa opinião não é teológica, até porque não temos nenhuma pessoa graduada em teologia ainda em nosso corpo de colaboradores, mas iremos aqui relatar alguns pontos a respeito.

Uma coisa que você citou na sua pergunta é de fato a raiz de todo esse problema, que é que as cartas paulinas são mais usadas por instituições como forma doutrinária que os evangelhos. Isto mostra o quanto que a institucionalização da fé pode ser prejudicial. Quando Cristo veio ao mundo nos resgatar, ele também nos livrou do clero, e nos deu livre acesso ao Santo dos Santos. Ou seja, a partir de então você se relaciona com Deus, então quem trata com você é Ele, é Ele quem te convence do pecado, e quem ministra a sua vida. É Ele também que julga. Assim percebemos que a doutrina não deve mais ser algo passada de pessoa a pessoa, mas sim vinda do relacionamento com Deus.

Mas voltemos a Paulo, o que ele fazia na época? Enviava cartas a comunidades aconselhando sobre coisas específicas, dilemas sofrido por aquelas comunidades. Você falou sobre a canonização, e foi muito assertivo quanto ao assunto, mas já pensou que os cristãos primitivos não tinham o Cânon? Tinham o Evangelho, que por anos fora pregado de forma oral, e recebiam uma ou outra carta, ou cópia da carta de algum discípulo. Como a Igreja vivia sem o Cânon?

O problema com as cartas de Paulo é que as instituições atribuíram assuntos específicos sem nenhuma avaliação ou dosagem, generalizando os fatos. Paulo não falou para todas as comunidades que tinha contato para as mulheres não falarem em culto, até porque em Corítions ele fez isso, mas também já elogiou outras mulheres que pregavam a Palavra. Então entendemos que se trata de algo específico. O mesmo vale para a mulher cobrir a cabeça. O engraçado é que esta parte, a maioria das comunidades cristãs já aprenderam a relativizar. É muito interessante como alguns trechos ensinam que devem ser seguidos literalmente, e outros, são ignorados.

Paulo aplicou o que aprendeu com Cristo e relatou isto em cartas tratando de problemas específico das comunidades cristãs. Claro que ele não conseguiu assimilar todo o ensino de Cristo. E o bom de Paulo é que por diversas vezes, ele reconhece a sua miséria, lembrando que foi ele quem disse que as coisas celestiais são vistas como um espelho [embaçado], e que somente quando Jesus voltasse veríamos nitidamente.

Então concluímos, se possível, que Paulo estava alinhado, dentro de seus limites humanos, com Jesus. Mas a consciência de Jesus de fato era muito progressista para nós atualmente, imagine para Paulo. E o que seria de nós, gentios, sem o emprenho de Paulo de anunciar o Evangelho?

Que a Paz seja convosco, irmão! Abraços fraternos.

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A minha pergunta está voltado ao lado de Segurança.

No caso de uma comunidade que se emancipa de uma federação, por exemplo, qual é a segurança que os cidadãos possuem contra ameaças de neoimperialismo ou de exploração, ou até mesmo de guerras?

Por Thiago Coelho

Como vai, Thiago? Gostamos de tratar com estes dilemas. O anarquismo não é uma utopia, ou seja, seus pensadores não possuem a resposta de uma sociedade perfeita, e incentivam muito a prática de suas ideias para que elas possam ser aplicadas, experimentadas e confrontadas. É por isso que no anarquismo há uma variedade muito grande de pensadores, sendo que muitas vezes um contraria outros.

Os anarquistas mais clássicos alegam que a sociedade deve defender por si só. Hoje temos algumas comunidades livres que a própria população, ou alguns voluntários, protegem o seu território. Os Zapatistas em Chiappas e os curdos em Rovaja e Kobane, possuem equipes para-militares que protegem seus territórios contra invasores.
Há anarquistas que sejam contra a violência. Tais como Leon Tolstói, por exemplo, como pacifista ele dizia que uma sociedade invadida não deveria nem ao menos resistir. Sabemos que essa não é uma resposta agradável a todos os ouvidos. Inclusive a questão de defesa em si, se trata mais de um instinto de sobrevivência, do que de fato um posicionamento ideológico.
Porém atualmente temos uma sociedade mais consciente e que não aceita covardia executadas por governos tiranos. Podemos citar Christiania, ondeo governo da Dinamarca iria invadir com o exército e expulsar a todos, mas a pressão popular por pessoas de fora da comunidade, impediu o governo de fazê-lo, pois se o fizesse geraria insatisfação entre os dinamarqueses.

Espero ter ajudado. Abraços!

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Um anarquistas cristão acredita na fé individual,coletiva ou ambas?

Por Maria Jane

 

Olá Jane! Um beijão! Sua pergunta é muito importante, pois a fé é um dos elementos fundamentais da vida cristã. Jesus elogiou algumas pessoas que tinham fé, e condenou outras que não a tinham. A fé também é elemento para a nossa salvação.
A fé é individual, em várias passagens somos aconselhados a guardar a fé, a crescer em fé, a não naufragar na fé, em todas elas há uma conotação que este zelo é individual. Porém a fé sem obras é morta, e o cristão precisa com a sua fé atuar para manifestar o poder de Deus. Isso o faz viver em comunidade, pois o cristianismo é ajuda-mútua, um deve apoiar o outro, sustentar o outro em momentos de fraqueza e necessidade. Então aí teremos um aspecto coletivo do exercício da obra vindo pela fé.
Paz, queridona!

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Como reagir a um ataque de neonazistas sendo pacifistas?

Por Lucas Vilas

 

E aí irmão, como vai? Esta pergunta é pesada. Pela visão dos anarquistas clássicos, ela é simples, o indivíduo deveria defender-se dos neonazistas. Porém quando falamos em cristianismo a coisa fica mais estreita. Um autor que citamos muito que é Leon Tolstói, ele alega que o Sermão do Monte, um sermão doutrinário de Jesus encontrado nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de Mateus, deve ser seguido no sentido literal. Porém um outro autor cristão de destaque, também russo, Fiódor Dostoiévski, alega que o Sermão do Monte é impossível ser seguido literalmente, e que deve ser sentido em sentido figurado.
Outros autores que também nos inspiramos, como Jacques Ellul e Vernand Eller, ambos anarquistas cristãos, também são pacifistas. E de fato Jesus falou no Sermão do Monte para sermos pacifistas e para darmos a outra face. Isto é um dilema enorme, pois é fácil falar, mas não é fácil fazer. Muitas vezes, sinto raiva de algumas ações fascistas que nem precisam ser direcionadas contra a minha pessoa, e já me dá vontade de dar uma surra. Imagine quando sou alvo de ataques…
Mas quem disse que o cristianismo é fácil de se seguir?
Vale ressaltar sobre algo que muitos confundem, ser pacifista é diferente de ser passivo. Pacifista é aquele que nao pratica a violência, e entende violência ato contra um outro ser vivo. Passivo é o indivíduo que não age quanto a situação. Ou seja, o papel do cristão revolucionário, é se opor, sempre, mas sem se impor sobre a vida de outro.
Desobediência civil sempre!

Paz!

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Eu estou em contradição.
O ponto chave é o que uns falam sobre a bíblia que é mudada, está faltando partes e etc e outros do que confirmam que ela está certa e tal. Quero mais entendimento do assunto, queria uma ajuda, uma luz.

Por Lucas Crespo

Olá Lucas, agradecemos pela pergunta.
A bíblia tal como a conhecemos, a católica e protestante, que são a mesma, é inerrante.
Afirmar que é inerrante, é dizer que é infalível.
Até hoje nada do que a bíblia afirma foi provado como errado.
A bíblia é o livro com mais cópias cuja data é mais aproximada do escrito original.
Os pergaminhos dos livros bíblicos, inclusive os do mar morto, são inúmeros e de data dos escritos originais.
Nenhuma obra de literatura da antiguidade tem tantas cópias e tão perto da data da obra original. César, Platão, Sócrates, Aristóteles, todos gregos, etc, são considerados obras inequívocas, e bem, mas não temos os originais, pois todas estas obras se degradam, sendo que as cópias são de datas mais longe do original que as da bíblia.
Para não ser extenso, afirmo isto e sugiro que se busque acera disto na net.
Eu afirmo, e depois é questão de se tentar verificar na net, em sites inúmeros e fiáveis. Uma busca normal chega lá facilmente e é o dever de quem verdadeiramente se interessa pelo assunto.
Claro que os copistas, como em qualquer obra, cometeram erros ortográficos, como o que eu acabei de cometer ao escrever: cometeram em vez de cometeram. Tem poucos erros deste tipo, ortográficos, que não existem depois noutras cópias, mas pouquíssimos, facilmente entendíveis, e que não poem o contexto e mensagem em si.
Começando pelo Velho Testamento. Em relação a Gênesis. Afirma-se a existência de Deus. Não se pode dizer que isso é erro, pois esta afirmação não se pode provar cientificamente. A ciência estuda a matéria e é feita por homens falíveis, não podendo observar-estudar o metafisico.
Existem 2 teorias cientificas de cosmogonia, de origem do universo, sendo que ambas são elaboradas por cientistas formados. Uma é o evolucionismo, a outra é o criacionismo cientifico, com por exemplo a teoria do design. A Teoria, epistemologicamente falando, é uma hipótese plausível, elaborada por cientistas. A teoria não é uma lei cientifica, como por exemplo a da gravidade.
A teoria do evolucionismo, é teoria, logo não é um dogma, e sendo assim, não sendo dogma, não prova que não exista criacionismo.
O universo revela claramente que existem inúmeras leis físicas afinadíssimas, que são interdependentes, pressupondo o não acaso. A própria constituição do universo e dos seres, pressupõem ordem, harmonia, e sobretudo design. Cientistas como Einstein, Newton, etc, eram criacionistas, crendo numa mente de um ser por detrás do universo, vendo a ordem e design do cosmos. No entanto isto não é lei cientifica, mas forma uma teoria, tão ou mais válida que a do evolucionismo. 
O evolucionismo beneficia-se de um lobby nas academias mundiais, sendo que este lobby ostraciza e cala academicamente os cientistas ateus, agnósticos e teístas, que creem e ensinam criacionismo cientifico e teoria do design. Este lobby é poderosíssimo e é exercido pelo poder financeiro mundial, pois o evolucionismo permite defender o capitalismo neo-liberal, onde há liberdade para a selvajaria dos mais fortes sobreviverem e se adaptarem, e os mais fracos serem os mais pobres e inadaptados, que devem sucumbir, tanto eles, como economias, etc… O mesmo lobby defende eugenia, dependente da crença no evolucionismo. O evolucionismo tem criado várias fraudes, como o homem de neandertal como link entre o homem e o macaco.
A história do diluvio cataclísmico encontra relatos em todas as partes do mundo, mesmo as que estavam isoladas, provando que aconteceu e todos povos e culturas antigas constataram e narraram geração após outra.
A arqueologia nasceu sobretudo da bíblia e depois de Homero. Crendo em Homero, um homem explorou a zona de troia e de creta, e encontrou as ruínas de troia e da civilização minoica. Todo médio oriente foi descoberto arqueologicamente devido ás citações bíblicas. Até á pouco tempo duvidava-se da existência do povo heteu, ou hitita, que a bíblia cita, dizendo que como tal povo não existia, a bíblia mentia. Mas á pouco tempo descobriu-se no centro da Turquia as ruínas arqueológicas da magnifica civilização hitita. Aqui se vê o erro dos descrentes, que por não encontrarem uma coisa, dizem que ela não existe, quando podem existir coisas que a bíblia afirma, que não tenham ainda sido encontradas.
A arqueologia nasceu pela bíblia.
Toda a historia narrada na bíblia é provada ou então não se provando, também não se consegue desmentir, mas a esmagadora maioria é provada.
Há uma terrível coerência em toda a bíblia, sendo profetizada 2 alianças desde o inicio. Outras profecia se cumpriram, como os cativeiros de Israel e Judá, e ao pormenor com Daniel acerca da restauração de israel. Os cativeiros mais recentes são também provados, assim como a impossibilidade de destruir totalmente israel e o facto destes voltarem a ser nação no fim da historia.
Há uma coerência incrível nas profecias acerca do Messias.
Flavius Josefus, um judeu não cristão, anti-cristão, sacerdote do judaísmo, escritor hebraico, comprova, assim como escritores romanos, contemporâneos de Jesus e de seus discípulos, a existência de Jesus, a doutrina dos cristão do seculo I descrita como na bíblia e não como a doutrina gnóstica do seculo II. Sim Josefo, entre outros, apesar de anti-cristãos, quando descrevem no que creem os cristãos, diz que Jesus existiu e descreve a crença como apresentada na bíblia e jamais como a doutrina dos gnósticos dos evangelhos de tomé, judas, maria madalena, etc…
Há um fio condutor em toda a bíblia, provando a psicologia e a antropologia, que as religiões ou ateísmos, produzem homens doentes, quando não creem no que é o perdão, misericórdia, etc…
A física quântica, ciência de ponta e vanguarda, produzida pelo homem claro, é ainda infantil, mas percebe já de como a consciência metafisica afeta a matéria e aponta para a apologia das realidades espirituais.
No demais, apesar da síntese, sugiro que se apresentem eventuais erros, estando eu disposto a responder aos mesmos…
Abraço, em Cristo, o inerrante.

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16 Eis que alguém se aproximou de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?”
17 Respondeu-lhe Jesus: “Por que você me pergunta sobre o que é bom? Há somente um que é bom. Se você quer entrar na vida, obedeça aos mandamentos”.
18 “Quais?”, perguntou ele.
Jesus respondeu: “‘Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho,
19 honra teu pai e tua mãe’[a] e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’[b]”.
20 Disse-lhe o jovem: “A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda?”
21 Jesus respondeu: “Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois, venha e siga-me”.
22 Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.
23 Então Jesus disse aos discípulos: “Digo-lhes a verdade: Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus.
24 E lhes digo ainda: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”.
Mateus 19

Essa resposta de Jesus foi algo pessoal/individual ou trata-se de uma colocação universal (pra todas as pessoas e todas as épocas)? Como vocês veem essa resposta sobre “vida eterna”?

Por um leitor anônimo.

 

Primeiro, é interessante abordar a questão da salvação. Independente qual corrente soteriológica siga, todos os protestantes concordam que a salvação não vem por obras, como descrito em Efésios 2:8-9. Porém as obras são manifestações da fé, como relata em Tiago 2:17-20. Ou seja, as obras constituem como um resultado da fé, um produto.

Agora sim podemos lidar com o texto em questão. É importante trazer aqui uma curiosidade que já vi algumas pessoas dizerem. Os necessitados sempre chegavam a Jesus e pediam coisas referente as suas vidas terrenas, uma cura, ressuscitação, dilemas sobre a partilha do irmão, e coisas semelhante. Porém todos que questionaram Jesus sobre a vida eterna eram homens em situações financeiras confortáveis. Isso o conceito de Pirâmide de Maslow explica bem, sociologicamente falando. Enquanto o indivíduo se encontra nas camadas mais baixas da sociedade, preocupa-se com questões que afetem a sua sobrevivência ou o seu consumo e bem-estar, e quando atingem um patamar que estas cosias não são tão necessárias, ou melhor, tão difíceis de conquistar, se preocupam com quetões mais efêmeras, tais como vida eterna.
Estou explicando isso para entendermos a mente do jovem rico. Ele já possuía tudo o necessário para a vida, e queria apenas manter o que conquistou pela eternidade. Obviamente para esse tipo de pessoa o grande cerne de sua vida são os argumentos de seus discursos sobre os méritos conquistados. E Jesus percebeu isso. Por isso ele se ateve ao mandamento, pois ele sabia que o jovem ia se colocar como alguém que pratica a Lei. Deus pegou na meritocracia. Só que o meritocrata reconhece tudo como mérito próprio, tanto as coisas espirituais como materiais, e acho que por isso que Jesus reforça sobre o rico entrar no Reino dos Céus, pois o meritocrata, com certeza não entrará, já que apenas aqueles que se reconhecem como miseráveis e dependentes da misericórdia de Deus tem a salvação, como Paulo esclarece em Romanos 3:23.
Não sei dizer se haverá ricos no paraíso. Sei que Jesus advertiu sobre o amor ao dinheiro, comparando-o com uma divindade, Mateus 6:24; e Paulo, em 1 Timóteo 6:9-10, também alertou que a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro; Tiago também tem uma palavra pesada aos ricos, principalmente no capítulo 5.

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Não tenho muito conhecimento de textos teóricos políticos mas tive uma curta vivência que porém julgo profunda em uma empresa que estimulava e muito todos ao liberalismo, o que me despertou a conhecer mais a política.

E quanto mais eu tenho convivido com essa discussão sobre política… essa pluralidade que possuímos mas eu reflito que somos reflexos do nosso governo (e vice versa)… no caso do brasileiro… uma lástima.

Minha questão é a seguinte:

Até onde sei sobre o anarquismo faz muito sentido nós depormos o Estado, mas enquanto à países como exemplo os escandinavos, que sua população vive uma boa qualidade de vida? Estes se baseariam em que argumentos para à “luta”?

A questão está sobre a seguinte questão, não existe Estado mínimo, ou existe ou não existe Estado. Sei que isto é meio estranho, mais irei explicar. Não existe Estado mínimo, pois quem detém o poder de decisão de intervir ou não é o próprio Estado. É ele que escolhe quando ou não intervir. A proposta do Estado mínimo é colocar o Estado para se regular. E é óbvio que quando for conveniente a ele, vai haver intervenção.

Para trabalharmos na questão geográfica dos países nórdicos, primeiro é necessário compreender as suas históricas, a formação de suas sociedades. Elas principalmente tinham muito intrínseco o conceito coletivista. Os lordes de lá não exploravam os seus povos como os lordes de outras regiões da Europa. A estrutura social era mais primitiva e horizontal.

Estes países também não foram colonizadores, assim como Portugal, Espanha e Inglaterra, eles não exploravam outros povos. Isto tudo era acrescentado em uma cultura que reconhecia a riqueza como de fato resultado do trabalho, e não da exploração. É por isso que são tão diferenciados. É por isso que seus governos são liberais, porém investem no social, pois são exceção.

Mas voltando a questão do Estado Mínimo, ao olharmos tais governos nos últimos 5 anos, temos visto um retrocesso nessa liberdade. Os projetos aprovados pelos liberais, hoje estão sendo rediscutidos e até anulados por políticos conservadores que assumiram o governo neste período. Quase toda Europa está sendo mergulhada por uma onda conservadora, intervencionista.

Sendo assim, concluímos que o Estado mínimo não existe pelo simples fato que sempre será um jogo, quando o governo quiser fomentar a economia, ele irá dar liberdade, porém depois apertará o laço para garantir o monopólio. Mas tudo estará na mão dele, pois é o Estado quem detém o “direito” de intervir ou não.

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O que anarcocapitalista? Existe de fato anarcocapitalista?

Anarcocapitalismo é uma teoria que visa o fim do governo e a perpetuação da propriedade privada.

Em questões etimologia, é impossível tal proposta ser anarquista, pois a palavra “anarquia” significa a negação de toda e qualquer hierarquia, governo ou plataforma. E tal modelo permite as hierarquias e políticas internas das empresas, mantém a mesma estrutura piramidal dentro das instituições privadas.

Já em termos práticos, a proposta também é impossível já que há necessidade do Estado para manter o Direito de Propriedade. Ou seja, sem o Estado a propriedade só seria mantida por intermédio da força. Assim como era no Feudalismo. Não é a toa que alguns chamam anarcocapitalismo de neofeudalismo.

Sugerimos a leitura de um artigo que escrevemos que aborda um pouco o assunto: https://felibertaria.wordpress.com/2016/09/20/estado-minimo-e-a-falacia-liberal/

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