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“Eles fizeram reis, mas não por mim; constituíram príncipes, mas eu não o soube; da sua prata e do seu ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos.
Oséias 8:4

nero autoridade cristãos

Vamos agora avaliar sobre o respaldo que as instituições religiosas declaram sobre a submissão às autoridades humanas. É comum vermos discursos religiosos, sobre que o homem deve se submeter aos governantes e que todo governo é estabelecido por Deus, e ainda é para o bem de todos, e serve para punir o mal.

Deixo claro aqui que não creio que um pescador como Pedro, homem simples, analfabeto, compreenda de fato as ciências sociais a ponto de desmembrar como se forma o poder, e como funcionava os mecanismo políticos de Roma. Já Paulo, que era mais instruído poderia até compreender estes fatores, até porque ele era cidadão romano, e claramente mostrava conhecer seus direitos, então há grande possibilidade de entender mais de política que os demais discípulos.

Também fica difícil compreender como cristãos, tão martirizados tanto pelos judeus quanto pelos romanos, onde homens bons e tementes a Deus eram torturados e mortos só por serem cristãos, acreditem que os governos representam a vontade de Deus e punem apenas quem é mal. Até mesmo Paulo, um dos responsáveis da morte de Estevão, homem íntegro segundo a Palavra, acreditasse de fato isso. Vale lembrar Paulo viveu ainda no governo do Imperador Nero, César conhecido por martirizar cristão, que possivelmente tenha ordenado a execução do apóstolo.

Apesar disso o teólogo Vernard Eller em ‘Anarquia Cristã’ atribui a esta descrição de Paulo que quando ele escreveu Romanos, provavelmente entre os anos 47 a 57 d.C., eram anos um tanto pacíficos quanto a perseguição contra os cristãos:

“Penso agora em usar o livro do Apocalipse como uma representação do entendimento da igreja primitiva sobre a Anarquia Cristã e como meio de documentar os cinco pontos acima. Ainda que, com certeza, muitas pessoas possam pensar que esse livro que mostra uma grande batalha de arquias, seria o último lugar que alguém esperaria encontrar qualquer vestígio de anarquismo. Talvez então a melhor maneira de fazer essa transição é encontrar a raiz do problema, abordando a comparação entre Romanos 13 e Apocalipse 13, que normalmente se encontra na literatura da esquerda cristã.

A comparação que mais freqüente é feita para estabelecer a natureza contextual da relação cristã com o Estado: quando um Estado é bem comportado, então cristãos devem respeitar, obedecer e honrá-lo; quando um Estado é mau, os cristãos então tem a obrigação de denunciar, resistir e tentar a revolução. A resposta cristã ao governo depende de como este se comporta no momento.

Deste ponto de vista, Romanos 13 é extremamente legitimador. A explicação é que, no momento em que Paulo escreve, o Império Romano estava em uma de suas fases mais benevolentes, tornando natural que o apóstolo dissesse aos cristãos romanos que estes deveriam obedecer às autoridades, pagar seus impostos e tudo mais. Apocalipse 13,então, é visto como o caso oposto. Aqui o Império é pintado como a Besta do Abismo –o que é tomado como indicativo de que, no tempo que o profeta escreveu, o comportamento do império era bem diferente dos dias de Paulo. Vou deixar a cargo do leitor pensar se seria em Romanos 13 ou em Apocalipse 13 que esses intérpretes encaixariam o atual governos dos EUA.”

Eller, na mesma obra, explora que os zelotes eram um grupo político que faziam oposição ao Império Romano, e que Jesus não apoiara eles, não pelo motivo, mas sim pelo método aplicado, o que explica um pouco sobre o posicionamento dos seus dicípulos:

“Começando mal, o zelotismo inevitavelmente piora. Nós o definimos como “zelo moral por uma causa sagrada” – mas isso foi para colocar a questão de uma maneira mais caridosa possível. Com alguma regularidade, o zelotismo começa a se tornar mais fortemente um “zelo moral contra causas profanas”. Embora que os Zelotes do século I afirmassem (sem dúvida com honestidade suficiente) que a sua motivação era a libertação dos pobres, a sua especialidade tornou-se furar as costelas dos ricos (por esse contexto que eles se tornaram conhecidos como os “homens do punhal”). Fiéis à forma, os zelotes contemporâneos se mostram muito mais eficientes em denunciar aqueles os quais eles escolhem chamar de entusiastas da guerra, do que eles se tornarem pacíficos.

Agora, pode ser pensado que esses dois – amando o bem e odiando o mal – vêm na mesma direção, que eles são simplesmente dois lados da mesma moeda, mas não é assim. Jesus nos mostrou que não são – mostrando ao mesmo tempo que Ele não era um Zelote. Ele amou o pobre – mas fez isso sem odiar o rico. Ele amou ao pobre, de fato, enquanto demonstrava amor diante de diferentes pessoas ricas ao mesmo tempo. Na verdade, em seu livro Dinheiro e Poder, Ellul bem argumenta que Jesus nem mesmo desenhou a distinção bom-pobre/mau-rico nos mesmos termos simplistas que nós fazemos. Nada disso, é claro, é negar que Jesus reconheceu uma importante, porém relativa, distinção entre pobres e ricos. Como Ele conduziu isso? Ele conduziu ao manter os alinhamentos relativos anarquicamente relativos, recusando-Se a torná-los absolutos. É somente essa certeza absoluta, de absoluta certeza que pode se dar ao luxo de sair depois daqueles que sabem estar absolutamente errados.”

William Barclay em ‘Romanos’, chegam a uma conclusão semelhante a Eller:

“Além disso, havia os zelotes, que estavam convencidos de que não existia outro rei para os judeus a não ser Deus; e que não devia pagar-se tributo algum, a não ser a Deus. Eles não se conformavam com uma resistência passiva. Criam que Deus não os ajudaria se não se embarcavam em uma ação violenta para proteger-se a si mesmos. Estavam juramentados e empenhados em uma carreira de morte e assassinatos. Seu propósito era fazer impossível todo governo civil. Eram conhecidos como “os portadores de adagas”. Eram nacionalistas fanáticos entregues aos métodos terroristas. Não só utilizavam esse terrorismo para com o governo romano, também destruíam as casas e queimavam o grão, assassinando as famílias de seus próprios compatriotas judeus que pagavam tributo ao governo romano.

Paulo não via que isto tivesse propósito algum. Era, com efeito, a negação direta de toda conduta cristã. E contudo, ao menos em uma parte da nação judaica, era a conduta normal judaica. Poderia ser que Paulo tivesse escrito aqui tão categoricamente, porque desejasse dissociar ao cristianismo do judaísmo insurrecional, e deixar claro que o cristianismo e a boa cidadania iam necessariamente de mãos dadas.”

Outro fator relevante é olharmos para governos que temos consciência que foram regimes cruéis, fica impossível aplicar textos domo Romanos 13 e 1 Pedro 2 que estes regimes são determinados por Deus, para punir homens que praticam o mal, e que os bons não devem se preocupar. Podemos citar Hitler, Stalin, Vlad Tepes, Mao Tse Tung, Genghis Khan e Kublai Khan. Nem se dão conta nem que o nascimento do Messias, foi regado de sangue inocente. O que estas crianças fizeram de tão mal para sucumbir pela mão de Herodes? Aliás, o próprios Jesus fora martirizado, seria ele alguém que praticava o mal?

Creio que já passou da hora de aceitarem estes argumentos rasos em favor de tiranos que querem manter a todos calados e conformados.
Vamos continuar com o nosso estudo de caso sobre a questão da autoridade. Temos a Coreia do Norte, um governo extremamente opressor, inclusive perseguindo cristãos. Vamos fazer o exercício se faz sentido aplicar este governo no contexto de Romanos 13:

“Todos devem sujeitar-se a Dinastia Kim, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra Dinastia Kim está se opondo contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois a Dinastia Kim não devem ser temida, a não ser por aqueles que praticam o mal.

Você quer viver livre do medo da Dinastia Kim? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois são de Deus para o seu bem. Mas, se você praticar o mal, tenha medo, pois eles não portam a espada sem motivo. São servos de Deus, agentes da justiça para punir quem pratica o mal.

Portanto, é necessário que sejamos submissos a Dinastia Kim, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois eles estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um deles o que lhe é devido: se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra.”

E o que dizer de 1 Pedro 2?

“Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao Imperador Kim, como superior;
Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.
Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos;
Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.
Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao Imperador Kim.”

Na sequência do texto em 1 Pedro 2, como também em outros textos como Tito 3:1-3 e 1 Timóteo 2:1-3, vemos que não se trata de uma forma simplista de alegar que toda autoridade que é constituída por Deus para bem dos homens. Mas sim como um clamor para que os cristãos se portem de forma pacífica diante governos. Vale lembrar que os romanos possuíam um poderio militar muito mais poderoso que os judeus. E que o ocorrido com os judeus com o episódio recente dos rebeldes macabeus contra os gregos, estava recente na mente dos judeus na época. Apesar dos zelotes fazerem semelhante, o resultado de seus levantes culminou na Primeira Guerra judaico-romana, com destruição do Segundo Templo Jerusalém, e mais martírio do povo judeus. Então é natural que os cristãos tenham tomado um papel pacífico quanto a se rebelar com o governos. Mas pacifismo não é o mesmo que passividade.

Então o que quero dizer é que a vontade de Deus se trata mais da vontade permissiva, do que a vontade de eleger o rei. Em Oséias 8:4 temos um caso que Deus declara que não elegeu os reis, mas sim os homens. Outro caso bem esclarecedor, é em 1 Samuel 8, que o povo queria eleger um rei, e ser como as outras nações. Deus se mostrou contrário a ideia, alertou sobre os perigos em ter governantes, mas permitiu que o povo se organizasse como queria, pois Ele não interferiria.

A realidade é que desde que Roma declarou que o cristianismo é a religião oficial do Império, foi muito conveniente discursos do tipo para atrelar cada vez mais a religião e o governo. Brennan Lester escreveu a respeito, apontando diversos motivos que levaram a esta interpretação de tais textos como temos hoje, principalmente o de Romanos. Um dos mais fortes pontos usados por Lester é que Romanos dos capítulos 12 ao 15 se trata de um único contexto e não deve ser interpretado individualmente. E que em Romanos 12, assim como em 1 Pedro 2, os textos indicam para que o cristão deve se sacrificar pelo próximo, inclusive nos dois textos, eles citam a possibilidade dos cristãos serem perseguidos ou martirizados. Em Romanos 12 também cita que não devemos nos conformar com este mundo, onde a palavra “mundo” (αιωνι) tem a conotação de “presente século” ou até de “sistema de governo”. O mesmo governo relatado em Efésios 1:20-21. Assim como também o mesmo governo em que Jesus, em João 12:31, determina que será julgado e atribui ao inimigo, que é chamado de príncipe ou governante.

Lester também resgata os termos em original, e trabalha possíveis interpretações para o texto em Romanos 13. Com o que seria “ordenado” ou “estabelecido”, na verdade se trata de “colocar em ordem” ou “estabelecer”, no particípio passivo. Dando um sentido que Deus não estabelece os governante, mas sim que eles com coordena, permanecendo no controle, com um propósito final para cada um deles, independente se são bons ou ruins.

Vale ressaltar que em Romanos 8:38-39, Paulo foi categórico em dizer que Jesus despojou e os expôs ao desprezo. Assim compreendemos que a submissão passiva ao Estado, disseminada pelas instituições religiosas ligadas a ele, não condiz com que fora ensinado. Mostra que os textos assim interpretados, fogem, primeiramente da Palavra, também da realidade vivida pelos discípulos na época, assim como também do que sabemos de historicamente governantes maus.

Assim tomamos a ideia que tais autoridades podem ser espirituais, como muitas vezes reforçadas no Novo Testamento, e como também apontada pelo teólogo Jacques Ellul em ‘Anarquia e Cristianismo’:

“Chegamos agora ao ponto final. Não poderia fechar essas reflexões dessa passagem, que infelizmente deu uma guinada errada à igreja e ao cristianismo após o século III, sem relembrar um estudo de trinta anos atrás. A palavra usada nessa linha de pensamento era o grego exousiai, que podia significar autoridades públicas, mas que também no Novo Testamento tinha outro significado, sendo usada para poderes abstratos, espirituais, religiosos. Embora Paulo nos diga para lutar contra os exousiai celestes (cf. Efésios 6:12). É pensado, por exemplo, que os anjos são exousiai. Oscar Cullmann e Gunther Dehn concluem que, desde que a mesma palavra é usada ali, deve haver alguma relação. Em outras palavras, o Novo Testamento nos leva a supor que o poder terreno e autoridades militares têm sua base na aliança com poderes espirituais, que não chamarei de celestiais, pois podem ser igualmente más e demoníacas. A existência desses exousiai espirituais explicaria a universalidade dos poderes políticos e o fato assombroso de as pessoas os obedecerem como se fossem evidentes. Essas autoridades espirituais poderiam então inspirar governantes.

Essas autoridades poderiam ser boas ou más, angelicais ou demoníacas. Autoridades terrenas refletem os poderes daqueles cujas mãos elas caíram. Podemos então ver porque Paulo em Romanos 13 refere-se às autoridades que atualmente “existem” como sendo instituídas por Deus e também o porque alguns teólogos protestantes diziam depois de 1933 que o governo de Hitler era “demonizado”, que tinha caído nas mãos de um poder demoníaco. Se digo isso, não é simplesmente porque quero dizer que a atitude da primeira geração cristã não foi unânime, que juntamente com a linha principal, conforme a qual o Estado deveria ser destruído, havia uma linha mais matizada (embora nenhuma exigisse obediência incondicional). O ponto principal para mim é quando Paulo em Colossenses 2:13-15 diz que Jesus venceu o mau e a morte, e também diz que Cristo “despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”. No pensamento cristão, a crucificação de Cristo é a Sua verdadeira vitória sobre todos os poderes, tanto celestes quanto infernais (não estou dizendo que existem, mas expressando a convicção diária), pois somente Ele foi perfeitamente obediente à vontade de Deus, inclusive aceitando o escândalo de sua própria condenação e execução (sem entender totalmente isso: “Deus meu, por que me abandonaste?”) Embora Ele tivesse dúvidas sobre sua interpretação e missão, Ele não tinha dúvidas sobre a vontade de Deus e obedeceu perfeitamente.”

Então assim concluímos nossa reflexão sobre o contexto de autoridade relatada na bíblia. Que para o cristão, além dos reinos humanos, haviam um governo celeste, o que Eller atribuía como ‘anarquia de Deus’, que agia contra as ‘arquias’ dos homens. Mas que o cristão deve manter o papel pacífico, não-violento, mesmo quando se opõe as injustiças do Estado. Porém que o espírito profético deve se opor aos governos déspotas, assim como João Batista fez com Herodes, e assim como Jesus e os discípulos fizeram.

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“E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas.
Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.
Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele,
Arraigados e sobreedificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças.
Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;”
Colossenses 2:4-8

bancada evangélica

Temos visto um grande estardalhaço com o caso do suposto estupro de Marco Feliciano a militante jovem do Partido Social Cristão (PSC) e youtuber, Patrícia Lélis. Este espisódio possui um importante papel decisório no quadro político do país, já que ele diz respeito direto a Bancada Evangélica, um dos principais apoiadores do presidente interino Michel Temer. A Bancada Evangélica foi fundamental no apoio ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) para virar as costas para o Partido dos Trabalhadores (PT) e derrubar Dilma da presidência.

Porém assim como o PMDB, a Bancada Evangélica, e principalmente o PSC, nem sempre foram oposição ao PT e a esquerda. Antes eles eram aliados políticos, muito bem alinhados em diversas regiões do país. Fizeram campanha pesada em apoio ao Lula, nos dois mandatos, e a Dilma no primeiro mandato.

De acordo Bruna Suruagy do Amaral Dantas em seu trabalho Religião e Política: ideologia e ação da “Bancada Evangélica” na Câmara Federal, vemos que a bancada teve uma progressão muito grande entre 1999 e 2003. O qual consolidou no cenário político cinquenta e sete deputados federais vinculados a treze denominações distintas, sendo a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus as mais predominantes. Bruna atrela esta progressão à expansão eclesiástica das instituições evangélicas, principalmente as pentecostais.

Neste período grande parte da Bancada Evangélica estava coligada com o Partido dos Trabalhadores, como por exemplo, o bispo da Assembleia de Deus, e presidente da Conamad (Convenção Nacional das Assembleias de Deus), Manoel Ferreira, grande amigo de Lula e metido em várias acusações de corrupção, conhecido por sua ganancia e recorrestes golpes. Também os senadores eleitos em 2002, Magno Malta do PR-ES e o Marcelo Crivella do PL-RJ, que ambos apoiaram Lula desde a sua primeira eleição.

Já no Rio, foi formada uma grande chapa que uniu Anthony Garotinho (PR) e Benedita da Silva (PT). Inclusive dessa chapa começou a surgir uma figura frequente, que é o Pastor Everaldo. Que futuramente se afiliaria ao Partido Social Cristão como vice-presidente, e depois de dez anos assumiria como presidente do partido. Figura hoje bem conhecida, principalmente por uma denúncia de violência contra a ex-esposa, e também fora acusado de oferecer suborno a jornalista Patrícia Lélis para ela ficar calada, quanto ao caso do Feliciano e fracassando a ameaçou de morte.

Inclusive a coligação era tão bem alinhada que dentro do Partido dos Trabalhadores também haviam expoentes significativos na Bancada Evangélica. A mais proeminente deles provavelmente é a já citada Benedita da Silva, do PT-RJ. Mas há outros, que inclusive Bruna Dantas relata que eles sentiam que o partido os restringia de votarem como queriam, sendo obrigados a seguir a pauta do partido, já que o partido exige que votem em conformidade ideológica. Inclusive dois deputados federais, em 2009, tiveram seus direitos partidários caçados pelo Partido dos Trabalhadores.

Já em 2003 a 2007, segundo Bruna Dantas, foram eleitos sessenta e seis congressistas da Bancada Evangélica, incluindo quatro senadores. Com um grande destaque na Igreja Universal, com vinte e dois deputados e um senador. Vale relatar que o bispo da Universal, Deputado Carlos Rodrigues do PL-RJ, fora o líder da Bancada Evangélica no Congresso na época.

Foi neste período que começaram algumas discordâncias entre estas coligações, principalmente no que se diz respeito aos movimentos sociais, luta por direitos do público LGBTT e a questão do aborto. Mas também foi o período que surgiu a CPI das Sanguessugas onde consta vários envolvidos da Bancada Evangélica. A CPI das Sanguessugas foi responsável pela grande redução da Bancada Evangélica em 2011, de setenta deputados, apenas 17 foram reeleitos, resultando um total de trinta representantes da bancada.

Este histórico de corrupção se arrasta até os dias de hoje. Impressiona ver políticos que usam tanto o discurso religioso, e usando o nome de Cristo para perpetuar a opressão de uma classe aristocrática e se vincular a tanta corrupção assim. É importante ressaltar que o Portal Transparência declarou que a maioria dos deputados evangélicos responde a processos judiciais.

Silas-Malafaia-apoia-Lula02Apesar de não ser política, mas outra figura importante para estudarmos a ação da Bancada Evangélica e seu objetivo de assumir o poder, é o pastor da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia. Quem vê o Silas hoje associando o PT a um governo demoníaco, nem tem ideia de que ele fez forte campanha para o partido quando se aliou ao Lindbergh Farias. Mas isso não é novidade já que há longas datas Malafaia apoiava Lula como mostra a imagem ao lado. Os motivos são óbvios como muito bem pontuado por Julio Severo que se trata de preservação de espaço evangélico nas mídias.

feliciano 13Mas voltemos ao Marco Feliciano, pastor da Assembleia de Deus, com certeza uma peça fundamental nesta história. Ele foi eleito em 2010, mas já entra no cenário político com escândalo de envolvimento com propina associado ao Grupo Scamatti. Também coligado com o Partido dos Trabalhadores, fez campanha pesada a favor da Dilma na presidência em 2013. Feliciano fora eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, episódio que marcou o racha entre o PT e Bancada Evangélica.

Talvez a figura da Bancada Evangélica mais citada nos últimos meses com envolvimento na corrupção seja o deputado do PMDB-RJ Eduardo Cunha, membro da Igreja Sara Nossa Terra, e fortes vínculos com a Assembleia de Deus. Com um histórico vasto de vínculos com o que há de pior no cenário político brasileiro, Cunha teve o seu mandato como Presidente da Câmara caçado por forte envolvimento com corrupção, e esbanja de sua forte influência no cenário político, alegando ainda que se ele abrir a boca, vários políticos irão sofrer consequências.

O que quero chegar é no questionamento de que se a Bancada Evangélica, o qual a maioria de membros pertence a correntes pentecostais, e julgam receber orientações diretamente de Deus através de profecias e revelações, o qual até mesmo o onde constam como emissários do mesmo. Por exemplo, Silas Malafaia, convocou o povo para participar de um ato profético pelo Impeachment da Dilma Rousseff, como eles não perceberam antes que o PT realmente representa tanto o mal que a Bancada Evangélica diz, um governo satânico, responsável por toda a corrupção política do país? Como Deus não os alertou da tal serpente quando eram aliados e tiravam vantagens políticas? Até porque os casos dos escândalos das CPIs referem à época em que eram aliados. Será que Deus foi omisso para com eles, entregando-os em uma cilada?

Creio, sinceramente, que Deus não faria tal coisa, creio na realidade, que eles não possuem revelação alguma de Deus. Do contrário não teriam se aliado ao PT, e nem muito menos estariam aliados ao PMDB, PSDB, DEM e outros partidos tão envolvidos em escândalos. O objetivo é que estes líderes religiosos e políticos sempre utilizaram de recursos midiáticos para propagar seus patrimônios e poder. Começaram a ingressar nos meios políticos visando tal objetivo e para promover o seu institucionalismo condenado pela fé cristã, mas perceberam que além da mídia, poderia controlar a política. Eles, como qualquer outro político, escolhem os seus “malvados favoritos” de acordo com os seus interesses políticos, e que usaram da aliança do PT na época para se promoverem e chegarem ao patamar que se encontram hoje, e agora estão se estruturando como a direita conservadora, para assim tornarem mais e mais absolutistas os seus desejos na política. A Bancada Evangélica não está a favor da família, e é a representação do nazi-fascismo de nossa sociedade, o que já relatamos ser um perigo.

 

Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade.
Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.
Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?
E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano,
E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e nào lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?
Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.
Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
Tiago 2:12-18

missão integral

Congregava em uma instituição religiosa, eu tinha um alinhamento político de esquerda libertária, enquanto a instituições tinha um posicionamento de direita conservadora. Isto nunca tinha me sido problema. Até porque eu sempre filtrei o que absorver, e sempre tive a Palavra como parâmetro na minha vida. Logo, o que na Visão desta instituição fugia da Palavra, eu ignorava.

Em certo momento eu conheci a Teologia da Missão Integral, eu já acompanhava alguns preletores que são hoje propagadores de tal teologia, e acabei como consequência conhecendo não só a teologia, mas também o movimento. E assim permaneci por mais de um ano. Até a instituição também conhecer a TMI (Teologia da Missão Integral).

Exatamente. Quando somente eu conhecia e comungava com a TMI, estava muito bem. Eu sempre tive vocação para atuar em projetos mais externos na igreja, então eu trabalhava com Missões Urbanas, que tinha uns projetos bem interessantes. E estava tudo bem. A instituição se agradava que eu estava servindo, e eu principalmente, me agradava por achar que estava fazendo o meu papel de cristão no mundo.

Porém quando a instituição descobriu a TMI, o primeiro que ela fez foi identificar quais membros dialogavam com tais ideias, e quais os possíveis simpatizantes. Houve um trabalho de vetar qualquer tipo de possibilidade de propagação de tais ideais dentro da instituição. A ponto de uma vez um líder do ministério o qual eu exercia aconselhar aos liderados a não participarem de tais debates.

Bem, eu sempre fui como Immanuel Kant, se a religião se coloca como portadora da verdade, ela não deveria se importar em ser questionada. Logo, por si só já havia percebido que o que viria pela frente se tratava mais se medo do que de verdade, embasamento da Palavra. E voltaremos mais adiante neste ponto.

A partir daí, começaram a alienação. Se de um lado os membros estavam aconselhados a não debaterem, e estes conselhos, de acordo com a Visão da instituição, eram tidos como lei, já que não se pode questionar e muito menos não acatar uma determinação de um líder. Por outro lado a liderança, de cima para baixo, começou a determinar, ou melhor, caluniar o conceito da TMI. Começaram nos cursos de liderança a ter aulas exclusivas para se falar em como a TMI era um braço do capeta, articulado pelo PT, para deturpar a Palavra e se infiltrar entre os evangélicos. Então os líderes, que frequentavam o curso, repassavam este conceito para os seus liderados. E como os liderados não podiam debater, eles absorviam isto como verdade.

Como persisti em meu posicionamento, pois acreditava e acredito fazer coerência com a Palavra, não demorou muito para eu ter gabinetes com quem estava à frente da instituição. O intuito dos gabinetes era o mesmo das aulas, me convencer de que a TMI é um braço comunista dentro da Igreja.

Então aqui irei expor o cerne de toda esta discussão como mostrada no título do texto. Já reparou que os argumentos contra a TMI sempre se encontra no campo político ou social? Nunca em questões teológicas? Não deveria uma instituição religiosa, ao alegar que um determinado grupo é herético, usar a Palavra como parâmetro para respaldar o seu argumento? Então por que não é feito argumentos com respaldo bíblicos contra a TMI? Agora feitas estas perguntas, podemos tratar da questão do medo da instituição de ser questionada como citado anteriormente.

Se os valores da instituição estivessem respaldados na Palavra, e por estes conflitarem com a TMI, seria simples encontrar estes valores na bíblia, e de forma descritiva, apresenta-los aos membros. E isso não é feito pelo simples fator de que não há verdade. Por isso que os argumentos contra a TMI são nada mais, nada menos, que várias deturpações e até mentiras. Tudo no campo político. Ou seja, porque politicamente a TMI se opõe ao posicionamento de direita conservadora destas instituições.

Mas neste ponto preciso fazer um parêntese. Então quer dizer que a TMI é de posicionamento de esquerda? De maneira alguma. A TMI oficialmente não se manifestou como participante de uma vertente política. E ela não faz isso pelo simples fato que ao fazê-la estaria dizendo que o Espírito Santo só se move a aqueles que atuam conforme aquele pensamento ideológico.

Quando eu ainda estava nesta instituição, tinha um membro da liderança que naturalmente era muito questionador, acho interessante contar este fato, pois ele continua se repetindo. Este líder conversava comigo sobre política e sobre teologia, ele era estudante de teologia. Como ele estava vendo todo aquele esforço da instituição contra a TMI, e sabendo que eu era simpatizante da mesma, ele me perguntou a respeito, e se a TMI era comunista. A minha resposta foi simples e sincera, que na TMI havia pessoas que se identificavam pelo comunismo, como também pessoas que se identificavam com o liberalismo.

O interessante é que este sujeito pesquisou sobre, abraçou a ideia, largou todos os cargos e saiu da instituição. O interessante é que outros indivíduos me tem feito o mesmo questionamento, e conforme vão pesquisando, estão tendo comportamentos semelhantes. Será que Immanuel Kant estava errado ao dizer que a razão só concede em quem pode sustentar o seu livre e público exame? É por isso que se investe tanto esforça na alienação.

Agora para concluir, cabe mais um questionamento. E então por que as instituições contra a TMI não usam como argumento a bíblia, no cerne teológico e não político? Simples, porque não há argumento. Pois a TMI ainda não aconselhou ninguém a pegar as suas posses, venderem e doar aos pobres, mas se o fizesse, teria respaldo bíblico. Pois em Atos os discípulos fizeram isso. E que ao alegarem que o papel do Cristão é a promoção da fé através do ‘Ide’, eles anulam o Evangelho, o qual em Mateus 25:31-46, que alega que as ovelhas se preocupam em acudir o necessitado, e em contraparte, por mais religiosos que fossem, eram os bodes que não se preocupavam.

E é exclusivamente por não haver tais fundamentos, que os ataques a TMI serão sempre pautados na mentira. Pois o fato é que algumas destas instituições tem se esbaldado da alienação e dos privilégios gerado por um clero herético, e temem mais que tudo serem questionados. E a TMI, aplicando a Palavra, tem feito estes questionamentos.

“Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” 2 Coríntios 5:19-21

reino Acreditamos como Embaixadores de Cristo no mundo, que devemos representá-lo implantando a paz e justiça no ambiente, sendo contra toda forma de opressão contra a humanidade e a criação divina. Então entendemos a luz da Palavra alguns conceitos de liberdade social para que esta justiça e paz sejam implantadas.

Fim da propriedade privada: Assim entendemos como os discípulos de Jesus vendiam tudo para repartir entre todos, e como em Levítico 25:23 Deus falou que a terra era dele. Quando um homem detém um bem, e o usa para benefício próprio, enquanto outro não possui e se sujeita a trabalhar por isso, é considerado uma opressão. No próprio livro de Levítico, Deus alerta sobre alguém estar endividado e ser assalariado, mas como pode ver, esta situação não é agradável aos olhos do Pai, apenas permitida para que nenhuma partes sejam lesadas. A intenção do Pai é que todo homem tenha condições que com o seu próprio trabalho sustentar-se.

Abolição do governo: Só o Senhor é o único digno de nos governar, assim como revelado em I Samuel 8, e que todo governo humano terá más consequências. A estrutura de um Estado é uma opressão por si só, é a vontade de uma minoria sobre a segunda. E mesmo que por meios na democracia representativa, os eleitos não representam mais a sociedade, mas sim a eles, o que o poder dado a eles os permitem cometerem as maiores barbaridades e a sociedade não pode fazer muito quanto a isso, pois foram eleitos democraticamente. Entendemos que a democracia representativa como uma farsa e que só Deus possui conhecimentos e benevolência capazes de nos governar.

Organização social: Assim como em Atos 2 os irmãos viviam em comunhão em amor, manifestando o poder de Deus, devemos assim o ser. Infelizmente este é um conceito esquecido pela igreja, devido os anos de corrupção, mas precisa ser entendido. Não há justiça em você ter determinado poder de consumo, enquanto o seu irmão mal consegue o suficiente para manter-se vivo. Se isso não o incomoda, digo, você ainda não conhece o Cristianismo.

Garantias dos meios de vida aos necessitados: Entendemos que é necessário agir com misericórdia aos necessitados, como foi dito por Jesus em Mateus 25:31-46, assim como devemos socorrer os necessitados como em Tiago 2:15-16. Em I Coríntios 16:1-3, Paulo pede ao povo de Corinto, e havia pedido aos da Galácia, que ajudem os necessitados de Jerusalém. Assim, como naquela época devemos assim proceder, vivendo em comunas que se apoiam em necessidades.

Guerra a religiosidade: Reconhecemos a religião como um mal opressor que subjuga os homens e os afastam de Deus. A religiosidade foi advertida por Jesus várias vezes, Mateus 23:13-39. A religiosidade é um veneno que consome a igreja. Jesus a comparou com um fermento que leveda toda a massa, ou seja, ela se propaga, contamina, por isso deve ser combatida. A religiosidade oprime, e transforma o que era amor de Deus em leis pesadas.

Guerra ao patriotismo: Não temos nação a não ser o Reino dos Céus, somos embaixadores de Cristo, 2 Coríntios 5:20. Entendemos que as fronteiras só servem para limitar a propagação do Evangelho, pois através de Cristo o amor de Deus alcançou judeus e gentios, Romanos 3:29. Logo, não existe uma nacionalidade diferente da outra, e até questões culturais devem ser mantidas e preservadas.

Reconstrução da família: Entendemos que a família é uma estrutura social, e que precisa ser livre de dogmas e preconceitos, totalmente livre e cheia de amor, abençoada pelo Senhor para que encontre salvação, Atos 16:31. Também devemos entender que Jesus nos enquadrou como uma grande família, todos aqueles obedecem o Pai.

O que nós como cristãos temos feito para mudar a sociedade. Não seria este papel da Igreja de Cristo? Despertar para a plenitude do evangelho é necessário.

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2

crime

O Censo 2010, divulgados pelo IBGE, divulgado em setembro de 2014, trouxe um dado interessante sobre o público evangélico no Estado do Espírito Santo. Que 33,1% dos capixabas são cristãos protestantes, ou como são mais conhecidos hoje, evangélicos. Sendo este o Estado com maior proporção de cristãos protestantes no Brasil, que possui o índice médio de 22,2%.

Porém outro dado interessante é que 61,69% destes protestantes não possuem responsabilidades na igreja. E que 50,12% não participam de nenhum projeto social ou missionário. Ao qual, Elmir Dell’Antonio, cientista social e pastor da Igreja Batista Filadélfia, em Vitória, alega que o cotidiano do cristão é o que mais interfere nesta inatividade.

Além destes dados gostaríamos de trazer alguns questionamentos que refletem no papel social da Igreja para a sociedade. O Espírito Santo é conhecido pelo seu alto índice de homicídio, sendo o segundo Estado mais violento, com o índice de 47,3 mortes para cada 100mil. E o mais violento para as mulheres, índice de 11,24 mortes de mulheres para cada 100mil.

Estes dados nos trazem o questionamento do que estamos fazendo para a sociedade. O porquê um Estado com tão forte presença cristã, oferece índices tão tristes. Será que os cristãos realmente estão muito ocupados com o seu dia-a-dia, que mal interferem no seu meio?

Como cristão deveríamos atuar para o cumprimento da Palavra de Deus neste ambiente, para que vidas sejam salvas, atingindo diretamente nestes índices. Que legitimidade temos em falar do Amor de Cristo, se deixamos nossos jovens morrer para o crime e as mulheres serem agredidas pelos próprios maridos? Precisamos parar de nos preocuparmos apenas com os nossos umbigos, interceder e agir para mudar este quadro.

Fonte: Gazeta Online.