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“Quando há em um Estado uma constituição qualquer, o poder se mantêm pela violência, poder que pode ser monopolizado por alguns homens, por meios diferentes. De qualquer forma, sempre haverá probabilidade de ocorrer os mesmos acontecimentos que agora ocorrem na Rússia – a guerra e a repressão dos revoltosos.”
Trecho de Leon Tolstoi em ‘Anarquismo e Cristianismo’.

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Daniel desempenhou um importante papel na política Babilônica. Fora levado para uma terra desconhecida, por um povo que atacou a sua nação, levou cativo os seus conterrâneos e continuaria por anos oprimindo a sua nação. Mas a Graça manifestou de forma surpreendente, que Daniel nunca causou mal àquele povo que facilmente poderíamos considerá-lo como infiel.
Na verdade só por isto mostra o quanto que Daniel compreendia o conceito de graça e misericórdia de Deus. Em uma sociedade cristã como a de hoje, em que mergulhamos em dicotomias, como lidaríamos com um povo que invade nossas terra e leva a população cativa e a escraviza? Facilmente consigo imaginar discursos com apelos religiosos, alegando que Deus vai trazer a sua Justiça e vai cortar a cabeça da serpente ou coisa do tipo.
Porém o que mais me surpreende na postura de Daniel, é o seu posicionamento diante legalistas que legislavam contra ele. O livro do profeta, relata algumas leis eram feitas para incriminar e perseguir especificamente Daniel e seus companheiros, não se relata que era para benefício da sociedade, mas sim perseguição política de uma classe de aristocratas querendo eliminar Daniel e companheiros.
Mas mesmo assim, Daniel em nenhum momento legislou contra os seus oponentes e nem mesmo para defender seu grupo de afinidade, no caso, os judeus perseguidos e cativos. Também nunca precisou elaborar leis que restringisse os atos pecaminosos daquele povo, que não eram poucos. Ele entendia o conceito coercitivo do governo, assim como Tolstói, na obra citada acima, aborda sobre o posicionamento do cristão diante o Estado:
“O cristão rechaça a lei do Estado porque não tem necessidade dela nem para ele nem para os demais, posto que julga a vida humana mais garantida pela lei do amor que professa, que pela lei sustentada pela violência.
Para o cristão que conhece as necessidades da lei do amor, as necessidades da lei da violência não somente não podem ser-lhe obrigatórias, como se apresentam diante dele como erros que devem ser denunciados e destruídos.
A essência do cristianismo é o cumprimento da vontade de Deus que não pode ser possível pela atividade exterior que consiste em estabelecer e aplicar formas exteriores de vida, a vontade de Deus é apenas possível pela atividade interior, pela mudança da consciência, e consequente melhora da vida humana. A liberdade é a condição necessária da vida cristã. A profissão do cristianismo livra o homem de todo poder exterior, e ao mesmo tempo lhe dá a possibilidade de esperar o melhoramento da vida que busca em vão pela mudança das formas exteriores da vida.
Os homens acham que sua situação melhora graças às mudanças das formas exteriores da vida, e, sem embargo essas mudanças nem sempre resultam em uma modificação da consciência.
Todas as mudanças exteriores das formas que não são consequência de uma modificação da consciência, não somente não melhoram a condição dos homens, como com frequência a agravam. Não são os decretos do governo que tem abolido a matança de crianças, as torturas, a escravidão, é a evolução da consciência humana que tem provocado a necessidade destes decretos; e a vida não melhora em passo mais rápido do que o passo do movimento da consciência, ou seja, a vida melhora na medida em que a lei do amor ocupa na consciência do homem o lugar antes ocupado pela lei da violência.”
Aliás, vale frisar este discurso moralista dos conservadores de serem os reguladores, ou como eles colocam, aqueles que preservam a moral da sociedade, em nada combina com o Daniel bíblico. O profeta em nada fez para legislar leis cujo o intuito era aplicar a força estatal os seus valores religiosos sobre um povo que ele não seguia tais valores.
O objetivo do Daniel era específico e assertivo, ele apenas deu testemunho e ganhou a alma do rei Dario. Seus atos eram para o benefício do povo babilônico, ele era conhecido por sua sabedoria e justiça, a ponto dos reinados passarem, três reis reinaram sobre Babilônia na época de Daniel, mas o profeta permanecia firme, e era bem visto por todos.
Os atos de Daniel foram tão marcantes que a própria bíblia relata o quanto que o rei ficou tocado com a postura de Daniel e sua fidelidade a Deus, a ponto do próprio Deus o guardar:
“Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada. Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e que permanece para sempre, e o seu reino não se pode destruir, e o seu domínio durará até o fim. Ele salva, livra, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele salvou e livrou Daniel do poder dos leões. Este Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario, e no reinado de Ciro, o persa.” Daniel 6:25-28
Com isso analiso o nosso comportamento. Tão ávidos a regular a posição do outro. Em embutir nossos conceitos morais aos demais. Ao mesmo tempo tão deficientes de Graça e testemunho. Tão fracos em nosso posicionamento, mas forte em exigir dos outros.

“E o que é a democracia? A soberania do povo, ou melhor, da maioria nacional. Sempre que a soberania do homem, em vez de a soberania da lei, a soberania da vontade e não a soberania da razão, em uma palavra, as paixões em vez do direito. Quando as pessoas passaram da monarquia para a democracia, há, sem dúvida, o progresso, porque o multiplicam soberano, o mais provável é que a razão prevaleça sobre a vontade, mas o fato é que nenhuma revolução é realizada no governo e subsistente o mesmo princípio. E isso não é tudo: o povo rei não pode exercer a sua soberania em si: é obrigado a delegar os gestores de energia. Isto é o que aqueles que procuram assiduamente repetiu sua aprovação. Estes funcionários são cinco, dez, cem, mil, o que importa o número ou o nome? Será sempre a regra do homem, o Estado de vontade e favor.”
‘O que é democracia?’ por Pierre-Joseph Proudhon

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Primeiramente, parafraseando Elisee Reclus: “votar significa abrir mão do próprio poder.”

Não acredito nas urnas. Nem se precisa explicar muito a respeito, caso desconheça há centenas de vídeos e artigos que abordam o quão frágil é a segurança de nossas urnas eletrônicas. Fora a própria desconfiança que tenho no processo eleitoral, já que houve tantas críticas de pessoas que foram impedidas de votar, por alguém já ter votado usando sua identidade. Fora que o próprio modelo constrói uma metodologia em que apenas os piores sejam indicados, e as coligações e financiamentos, garantem que apenas os mais comprometidos com a aristocracia sejam eleitos.

Todo poder emana no povo? É corretíssimo, chegar a esta conclusão. Até porque um governo estabelecido pela minoria só se sustenta com a aprovação, mesmo que através da ignorância, da sociedade. A Revolução Francesa caracteriza bem isso. Mas é bem diferente do que acreditar que é o povo quem governa. Errico Malatesta, em ‘O Estado Socialista’ por

“De nada serve dizer que, quando o governo tiver saído do povo, ele servirá os interesses do povo. Todos os poderes saíram do povo porque é somente o povo que pode dar a força, e todos oprimem o povo. De nada serve dizer que, quando não houver mais classes privilegiadas, o governo será forçosamente o órgão da vontade coletiva: os próprios governantes constituem uma classe e se desenvolve entre eles uma solidariedade muito mais poderosa do que a existente entre as classes fundadas sobre o privilégio econômico.

É exato dizer que o governo é hoje o escravo da burguesia. Mas isto tem menos a ver com o fato de que é um governo do que com o fato de que seus membros são burgueses. De resto, desde que se trate de um governo, ele odeia seu senhor, como todos os escravos, e o engana e rouba. Não era para servir a burguesia que Crispi colocava os bancos sob regulamentação, e também não era para servi-la que ele violava o Estatuto.

Aquele que está no poder quer nele permanecer e quer, a qualquer preço, fazer triunfar sua própria vontade. Por sinal, a riqueza é um instrumento de poder extremamente eficaz, e mesmo que ele não abuse dela e não roube pessoalmente, o governo engendra em torno dele uma classe que lhe deve seus privilégios e que está interessada em que ele permaneça no poder. Os partidos do governo são, no plano político, o que as classes proprietárias são no plano econômico.”

Abordado tais conceitos básicos, declararei aqui as minhas razões de não-voto. Não espero que vá surtir algum efeito no voto de alguém, mas apenas para esclarecer que acredito em outras possibilidades.

O poder para o povo não vem do voto:

Acredito que somos todos agentes políticos, e isso vai muito além das eleições. Se quiserem viver em uma democracia, acho melhor pensarem sobre isso, pois a democracia só existe quando o povo participa das decisões a serem tomadas. Então pense em formas de participar mais ativamente, seja através de organizações, grupos políticos ou até movimentos sociais. Mas é necessário entender que não basta apenas votar para construir uma sociedade democrática.

Em ‘Ação Direta’, Voltairine de Cleyre descreve uma crítica as lutas populares que visam estabelecer um governo, e que elas em nada favorecem o proletariado, muito pelo contrário, eles continuam enganados:

“Eles (os trabalhadores) têm que aprender que seu poder não está na força do seu voto, mas na sua habilidade de parar a produção. É um grande engano supor que os assalariados constituem a maioria dos eleitores.”

A sociedade tem que entender de uma vez por todas que quem trabalha e produz é explorado, e não recebe os benefícios de seu trabalho, e ainda é governado por alguém que só tem a contribuir com este fator. Que quando pauta a luta popular, garante alguns programas sociais, mas não muda muita coisa. Isso quando não transfere a propriedade privada, para estatal, e perpetua a Mais Valia, explorando o trabalhador da mesma forma.

Eles não dão ao trabalhador opção de interferir de fato na política. A organização política é imposta à sociedade, não é uma organização de baixo para cima, mas sim de cima para baixo. Mikhail Bakunin, deixou isso bem claro no ‘Discurso no Congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores’:

“Detesto a comunhão, porque é a negação da liberdade e porque não concebo a humanidade sem liberdade. Não sou comunista, porque o comunismo concentra e engole, em benefício do Estado, todas as forças da sociedade; porque conduz inevitavelmente à concepção da propriedade nas mãos do estado, enquanto eu proponho a abolição do estado, a extinção definitiva do princípio mesmo da autoridade e tutela , próprios do Estado, o qual , com o pretexto de moralizar e civilizar os homens, conseguiu até agora somente escravizá-los, persegui-los e corrompê-los. Quero que a sociedade e a propriedade coletiva ou social estejam organizadas de baixo para cima por meio da livre associação e não de cima para baixo mediante da autoridade , seja de que classe for. Proponho a abolição da propriedade pessoal recebida em herança, a qual não é senão uma instituição de Estado, uma consequência direta dos princípios do Estado. Eis aí senhores por que eu sou coletivista e não comunista.”

Não existe representação:

Não acredito na representação. Se você compreender o que é necessário para se candidatar, entenderá que este processo é cercado por alianças, como em ambientes do tipo são propícios para os mais variados tipos desprovidos de ética. Estes acordos sempre atendem os requisitos daqueles que ofereceram favores. E geralmente estes são: empresas que querem lucrar mais e mais e políticos corruptos.

Para anarquistas este conceito já é bem conhecido, não tem nem o que ficar detalhando. Quase todos os teóricos anarquistas abordaram o tema do sufrágio e esclareceram o motivo que o voto não funciona. Elisee Reclus, por exemplo, em ‘Por que os Anarquistas não votam’, explica a inutilidade de acreditar que há uma representatividade:

“O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade.

Nas assembleias acaba sempre prevalecendo a vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média.

Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade.

Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa.

Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se em seu senhor.

Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte!

A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.”

Este trecho de Reclus exemplifica muito bem o sistema que é o modelo representativo, onde automaticamente é selecionado os políticos capazes de negar o próprio povo para sustentar o poder, as classes, e o formato de uma sociedade piramidal.

O governo não propõe soluções efetivas:

Não acredito em soluções sociais vindas do Governo. Pode até chocar no início, mas se você pensar no volume que é os impostos arrecadados no país verá a migalha que é estes programas assistencialistas promovidos por um governo paternalista. Nem vou entrar no debate dos reaças que alegam que tais projetos oneram a máquina pública. Pensamento idiota e egoísta de quem nunca soube fazer conta para avaliar o quão é pesado o nosso imposto para avaliar o quanto recebemos disso em serviços públicos.

Toda a carga tributária e gestão pública serve apenas para sustentar o sistema. Os benefícios sociais são meios para evitar a revolta popular. O reformismo não leva a nada, são pílulas homeopáticas, considerando a emancipação de fato. Algo descrito por Piotr Kropotkin em ‘O Governo Representativo’:

“Semelhante neste ponto aos déspotas, o governo representativo – chame-se ele Parlamento, Convenção, Conselho da Comuna, ou tenha outro nome mais ou menos ridículo, seja nomeado pelos prefeitos de um Bonaparte ou arqui-livremente eleito por uma cidade insurgida, – o governo representativo procurará sempre alargar a sua legislação, reforçar sempre o poder, interferindo em tudo, matando a iniciativa do indivíduo e do grupo para as suplantar pela lei. A sua tendência natural, inevitável, será apoderar-se do indivíduo desde a sua infância e levá-lo de lei em lei, da ameaça a punição, do berço a cova, sem nunca o liberta-lo da sua vigilância. Viu-se alguma vez uma Assembleia declarar-se incompetente ela para o que for? Quanto mais revolucionária for, mais tratará de se meter em tudo o que não for da sua competência. Legislar sobre todas as manifestações da atividade humana, intervir nas menores particularidades da vida dos “seus súditos” – é a própria essência do Estado, do Governo. Criar um governo, constitucional ou não, é constituir uma força um fatalmente procurará apoderar-se de tudo, regulamentar todas as funções da sociedade, sem reconhecer outro freio além do que nós lhe poderemos opor de tempos a tempos pela agitação ou insurreição. O governo parlamentar – ele próprio disso deu a prova – não faz exceção á regra.”

A legislação, “a conquista por direitos”, tão propagada pelos reformadores, não passam de ilusão. Se trata apenas do governo tentando se posicionar como fundamental para a vida do homem. Quem entra neste ciclo, jamais sairá até entendê-lo de fato. Ficará sempre inerte, buscando políticos para sentarem nas cadeiras, e assim fornecerem suas migalhas.

A representatividade anula nosso poder de decisão:

Creio que a representatividade só serve para tirar a nossa autonomia. Se o objetivo da representatividade fosse a democracia, ela não seria tão aparelhada por cargos políticos e burocracias, seria algo mais horizontal e cíclica. O objetivo daqueles que estão no poder é tirar a autonomia da sociedade, sempre, e a obrigando a participar apenas se estiver envolvida com grupos, e estes grupos com interesses diversos, estruturam as partes políticas, e a cumplicidade e corrupção cresce de acordo com que sobre a pirâmide. E lá em cima se encontra as grandes empresas, colocando todos para trabalharem para eles. Logo, quanto mais em cima na pirâmide mais longe está dos interesses do povo.
Espero ter ajudado em algo com minha opinião. Não quero influenciar ninguém, mas apenas fazê-los refletir nestes pontos que considero importantes. Como sempre, estou aberto a ouvir o que pensam. Espero construir uma sociedade melhor juntamente com todos.

Alguns reformadores vão propor meios diferentes, vão criticar o financiamento de empresas, e colocar que a representatividade funcionaria bem sem eles. Nem me atenho a estas ilusões, pois as críticas ao sufrágio vem de um período em que não existia financiamento como se tem hoje. As críticas são pautadas na relação do homem pelo homem, e que aquele que subir ao poder, irá sim, querer explorar os demais. E que por estarem em uma camada superior, os governantes não irá se preocupar com os interesses do povo, como relatado por Bakunin em ‘A ilusão do sufrágio universal’:

“Toda decepção com o sistema representativo está na ilusão de que um governo e uma legislação surgidos de uma eleição popular deve e pode representar a verdadeira vontade do povo. Instintiva e inevitavelmente, o povo espera duas coisas: a maior prosperidade possível combinada com a maior liberdade de movimento e de ação. Isto significa a melhor organização dos interesses econômicos populares, e a completa ausência de qualquer organização política ou de poder, já que toda organização política se destina à negação da liberdade. Estes são os desejos básicos do povo. Os instintos dos governantes, sejam legisladores ou executores das leis, são diametricamente opostos por estarem numa posição excepcional.

Por mais democráticos que sejam seus sentimentos e suas intenções, atingida uma certa elevação de posto, vêem a sociedade da mesma forma que um professor vê seus alunos, e entre o professor e os alunos não há igualdade. De um lado, há o sentimento de superioridade, inevitavelmente provocado pela posição de superioridade que decorre da superioridade do professor, exercite ele o poder legislativo ou executivo. Quem fala de poder político, fala de dominação. Quando existe dominação, uma grande parcela da sociedade é dominada e os que são dominados geralmente detestam os que dominam, enquanto estes não têm outra escolha, a não ser subjugar e oprimir aqueles que dominam. Esta é a eterna história do saber, desde que o poder surgiu no mundo. Isto é, o que também explica como e porque os democratas mais radicais, os rebeldes mais violentos se tornam os conservadores mais cautelosos assim que obtêm o poder. Tais retratações são geralmente consideradas atos de traição, mas isto é um erro. A causa principal é apenas a mudança de posição e, portanto, de perspectiva.”

Um governante se achará mais evoluído, instruído, uma vanguarda da sociedade, acredita que irá traçar o caminho que a sociedade deverá tomar, o que expressa o espírito paternalista do Estado, tutelando os seus súditos, o seu povo.

Assim concluo a minha opinião sobre o voto. Ilusão, não teria uma palavra melhor para ilustrar, um povo que elegendo seus representantes, que depois de assentados nas cadeiras da aristocracia, irão usar a burocracia, para proporcionar uma vida melhor a eles. E quando este trabalho será concluído? Quando a sociedade será livre, será que almejam isto, para assim então descer de suas cadeiras e se juntarem ao povo? Creio que não, se farão sempre necessários. Fomentarão entre a sociedade, como um bando de néscio, incapazes de se organizarem se não for por eles. Este é o princípio do poder.

Textos citados:

‘O que é democracia?’ por Pierre-Joseph Proudhon

‘O Governo Representativo’ por Piotr Kropotkin

‘O Estado Socialista’ por Errico Malatesta

‘A ilusão do sufrágio universal’ por Mikhail Bakunin

“Eles fizeram reis, mas não por mim; constituíram príncipes, mas eu não o soube; da sua prata e do seu ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos.
Oséias 8:4

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Vamos agora avaliar sobre o respaldo que as instituições religiosas declaram sobre a submissão às autoridades humanas. É comum vermos discursos religiosos, sobre que o homem deve se submeter aos governantes e que todo governo é estabelecido por Deus, e ainda é para o bem de todos, e serve para punir o mal.

Deixo claro aqui que não creio que um pescador como Pedro, homem simples, analfabeto, compreenda de fato as ciências sociais a ponto de desmembrar como se forma o poder, e como funcionava os mecanismo políticos de Roma. Já Paulo, que era mais instruído poderia até compreender estes fatores, até porque ele era cidadão romano, e claramente mostrava conhecer seus direitos, então há grande possibilidade de entender mais de política que os demais discípulos.

Também fica difícil compreender como cristãos, tão martirizados tanto pelos judeus quanto pelos romanos, onde homens bons e tementes a Deus eram torturados e mortos só por serem cristãos, acreditem que os governos representam a vontade de Deus e punem apenas quem é mal. Até mesmo Paulo, um dos responsáveis da morte de Estevão, homem íntegro segundo a Palavra, acreditasse de fato isso. Vale lembrar Paulo viveu ainda no governo do Imperador Nero, César conhecido por martirizar cristão, que possivelmente tenha ordenado a execução do apóstolo.

Apesar disso o teólogo Vernard Eller em ‘Anarquia Cristã’ atribui a esta descrição de Paulo que quando ele escreveu Romanos, provavelmente entre os anos 47 a 57 d.C., eram anos um tanto pacíficos quanto a perseguição contra os cristãos:

“Penso agora em usar o livro do Apocalipse como uma representação do entendimento da igreja primitiva sobre a Anarquia Cristã e como meio de documentar os cinco pontos acima. Ainda que, com certeza, muitas pessoas possam pensar que esse livro que mostra uma grande batalha de arquias, seria o último lugar que alguém esperaria encontrar qualquer vestígio de anarquismo. Talvez então a melhor maneira de fazer essa transição é encontrar a raiz do problema, abordando a comparação entre Romanos 13 e Apocalipse 13, que normalmente se encontra na literatura da esquerda cristã.

A comparação que mais freqüente é feita para estabelecer a natureza contextual da relação cristã com o Estado: quando um Estado é bem comportado, então cristãos devem respeitar, obedecer e honrá-lo; quando um Estado é mau, os cristãos então tem a obrigação de denunciar, resistir e tentar a revolução. A resposta cristã ao governo depende de como este se comporta no momento.

Deste ponto de vista, Romanos 13 é extremamente legitimador. A explicação é que, no momento em que Paulo escreve, o Império Romano estava em uma de suas fases mais benevolentes, tornando natural que o apóstolo dissesse aos cristãos romanos que estes deveriam obedecer às autoridades, pagar seus impostos e tudo mais. Apocalipse 13,então, é visto como o caso oposto. Aqui o Império é pintado como a Besta do Abismo –o que é tomado como indicativo de que, no tempo que o profeta escreveu, o comportamento do império era bem diferente dos dias de Paulo. Vou deixar a cargo do leitor pensar se seria em Romanos 13 ou em Apocalipse 13 que esses intérpretes encaixariam o atual governos dos EUA.”

Eller, na mesma obra, explora que os zelotes eram um grupo político que faziam oposição ao Império Romano, e que Jesus não apoiara eles, não pelo motivo, mas sim pelo método aplicado, o que explica um pouco sobre o posicionamento dos seus dicípulos:

“Começando mal, o zelotismo inevitavelmente piora. Nós o definimos como “zelo moral por uma causa sagrada” – mas isso foi para colocar a questão de uma maneira mais caridosa possível. Com alguma regularidade, o zelotismo começa a se tornar mais fortemente um “zelo moral contra causas profanas”. Embora que os Zelotes do século I afirmassem (sem dúvida com honestidade suficiente) que a sua motivação era a libertação dos pobres, a sua especialidade tornou-se furar as costelas dos ricos (por esse contexto que eles se tornaram conhecidos como os “homens do punhal”). Fiéis à forma, os zelotes contemporâneos se mostram muito mais eficientes em denunciar aqueles os quais eles escolhem chamar de entusiastas da guerra, do que eles se tornarem pacíficos.

Agora, pode ser pensado que esses dois – amando o bem e odiando o mal – vêm na mesma direção, que eles são simplesmente dois lados da mesma moeda, mas não é assim. Jesus nos mostrou que não são – mostrando ao mesmo tempo que Ele não era um Zelote. Ele amou o pobre – mas fez isso sem odiar o rico. Ele amou ao pobre, de fato, enquanto demonstrava amor diante de diferentes pessoas ricas ao mesmo tempo. Na verdade, em seu livro Dinheiro e Poder, Ellul bem argumenta que Jesus nem mesmo desenhou a distinção bom-pobre/mau-rico nos mesmos termos simplistas que nós fazemos. Nada disso, é claro, é negar que Jesus reconheceu uma importante, porém relativa, distinção entre pobres e ricos. Como Ele conduziu isso? Ele conduziu ao manter os alinhamentos relativos anarquicamente relativos, recusando-Se a torná-los absolutos. É somente essa certeza absoluta, de absoluta certeza que pode se dar ao luxo de sair depois daqueles que sabem estar absolutamente errados.”

William Barclay em ‘Romanos’, chegam a uma conclusão semelhante a Eller:

“Além disso, havia os zelotes, que estavam convencidos de que não existia outro rei para os judeus a não ser Deus; e que não devia pagar-se tributo algum, a não ser a Deus. Eles não se conformavam com uma resistência passiva. Criam que Deus não os ajudaria se não se embarcavam em uma ação violenta para proteger-se a si mesmos. Estavam juramentados e empenhados em uma carreira de morte e assassinatos. Seu propósito era fazer impossível todo governo civil. Eram conhecidos como “os portadores de adagas”. Eram nacionalistas fanáticos entregues aos métodos terroristas. Não só utilizavam esse terrorismo para com o governo romano, também destruíam as casas e queimavam o grão, assassinando as famílias de seus próprios compatriotas judeus que pagavam tributo ao governo romano.

Paulo não via que isto tivesse propósito algum. Era, com efeito, a negação direta de toda conduta cristã. E contudo, ao menos em uma parte da nação judaica, era a conduta normal judaica. Poderia ser que Paulo tivesse escrito aqui tão categoricamente, porque desejasse dissociar ao cristianismo do judaísmo insurrecional, e deixar claro que o cristianismo e a boa cidadania iam necessariamente de mãos dadas.”

Outro fator relevante é olharmos para governos que temos consciência que foram regimes cruéis, fica impossível aplicar textos domo Romanos 13 e 1 Pedro 2 que estes regimes são determinados por Deus, para punir homens que praticam o mal, e que os bons não devem se preocupar. Podemos citar Hitler, Stalin, Vlad Tepes, Mao Tse Tung, Genghis Khan e Kublai Khan. Nem se dão conta nem que o nascimento do Messias, foi regado de sangue inocente. O que estas crianças fizeram de tão mal para sucumbir pela mão de Herodes? Aliás, o próprios Jesus fora martirizado, seria ele alguém que praticava o mal?

Creio que já passou da hora de aceitarem estes argumentos rasos em favor de tiranos que querem manter a todos calados e conformados.
Vamos continuar com o nosso estudo de caso sobre a questão da autoridade. Temos a Coreia do Norte, um governo extremamente opressor, inclusive perseguindo cristãos. Vamos fazer o exercício se faz sentido aplicar este governo no contexto de Romanos 13:

“Todos devem sujeitar-se a Dinastia Kim, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra Dinastia Kim está se opondo contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois a Dinastia Kim não devem ser temida, a não ser por aqueles que praticam o mal.

Você quer viver livre do medo da Dinastia Kim? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois são de Deus para o seu bem. Mas, se você praticar o mal, tenha medo, pois eles não portam a espada sem motivo. São servos de Deus, agentes da justiça para punir quem pratica o mal.

Portanto, é necessário que sejamos submissos a Dinastia Kim, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois eles estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um deles o que lhe é devido: se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra.”

E o que dizer de 1 Pedro 2?

“Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao Imperador Kim, como superior;
Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.
Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos;
Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.
Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao Imperador Kim.”

Na sequência do texto em 1 Pedro 2, como também em outros textos como Tito 3:1-3 e 1 Timóteo 2:1-3, vemos que não se trata de uma forma simplista de alegar que toda autoridade que é constituída por Deus para bem dos homens. Mas sim como um clamor para que os cristãos se portem de forma pacífica diante governos. Vale lembrar que os romanos possuíam um poderio militar muito mais poderoso que os judeus. E que o ocorrido com os judeus com o episódio recente dos rebeldes macabeus contra os gregos, estava recente na mente dos judeus na época. Apesar dos zelotes fazerem semelhante, o resultado de seus levantes culminou na Primeira Guerra judaico-romana, com destruição do Segundo Templo Jerusalém, e mais martírio do povo judeus. Então é natural que os cristãos tenham tomado um papel pacífico quanto a se rebelar com o governos. Mas pacifismo não é o mesmo que passividade.

Então o que quero dizer é que a vontade de Deus se trata mais da vontade permissiva, do que a vontade de eleger o rei. Em Oséias 8:4 temos um caso que Deus declara que não elegeu os reis, mas sim os homens. Outro caso bem esclarecedor, é em 1 Samuel 8, que o povo queria eleger um rei, e ser como as outras nações. Deus se mostrou contrário a ideia, alertou sobre os perigos em ter governantes, mas permitiu que o povo se organizasse como queria, pois Ele não interferiria.

A realidade é que desde que Roma declarou que o cristianismo é a religião oficial do Império, foi muito conveniente discursos do tipo para atrelar cada vez mais a religião e o governo. Brennan Lester escreveu a respeito, apontando diversos motivos que levaram a esta interpretação de tais textos como temos hoje, principalmente o de Romanos. Um dos mais fortes pontos usados por Lester é que Romanos dos capítulos 12 ao 15 se trata de um único contexto e não deve ser interpretado individualmente. E que em Romanos 12, assim como em 1 Pedro 2, os textos indicam para que o cristão deve se sacrificar pelo próximo, inclusive nos dois textos, eles citam a possibilidade dos cristãos serem perseguidos ou martirizados. Em Romanos 12 também cita que não devemos nos conformar com este mundo, onde a palavra “mundo” (αιωνι) tem a conotação de “presente século” ou até de “sistema de governo”. O mesmo governo relatado em Efésios 1:20-21. Assim como também o mesmo governo em que Jesus, em João 12:31, determina que será julgado e atribui ao inimigo, que é chamado de príncipe ou governante.

Lester também resgata os termos em original, e trabalha possíveis interpretações para o texto em Romanos 13. Com o que seria “ordenado” ou “estabelecido”, na verdade se trata de “colocar em ordem” ou “estabelecer”, no particípio passivo. Dando um sentido que Deus não estabelece os governante, mas sim que eles com coordena, permanecendo no controle, com um propósito final para cada um deles, independente se são bons ou ruins.

Vale ressaltar que em Romanos 8:38-39, Paulo foi categórico em dizer que Jesus despojou e os expôs ao desprezo. Assim compreendemos que a submissão passiva ao Estado, disseminada pelas instituições religiosas ligadas a ele, não condiz com que fora ensinado. Mostra que os textos assim interpretados, fogem, primeiramente da Palavra, também da realidade vivida pelos discípulos na época, assim como também do que sabemos de historicamente governantes maus.

Assim tomamos a ideia que tais autoridades podem ser espirituais, como muitas vezes reforçadas no Novo Testamento, e como também apontada pelo teólogo Jacques Ellul em ‘Anarquia e Cristianismo’:

“Chegamos agora ao ponto final. Não poderia fechar essas reflexões dessa passagem, que infelizmente deu uma guinada errada à igreja e ao cristianismo após o século III, sem relembrar um estudo de trinta anos atrás. A palavra usada nessa linha de pensamento era o grego exousiai, que podia significar autoridades públicas, mas que também no Novo Testamento tinha outro significado, sendo usada para poderes abstratos, espirituais, religiosos. Embora Paulo nos diga para lutar contra os exousiai celestes (cf. Efésios 6:12). É pensado, por exemplo, que os anjos são exousiai. Oscar Cullmann e Gunther Dehn concluem que, desde que a mesma palavra é usada ali, deve haver alguma relação. Em outras palavras, o Novo Testamento nos leva a supor que o poder terreno e autoridades militares têm sua base na aliança com poderes espirituais, que não chamarei de celestiais, pois podem ser igualmente más e demoníacas. A existência desses exousiai espirituais explicaria a universalidade dos poderes políticos e o fato assombroso de as pessoas os obedecerem como se fossem evidentes. Essas autoridades espirituais poderiam então inspirar governantes.

Essas autoridades poderiam ser boas ou más, angelicais ou demoníacas. Autoridades terrenas refletem os poderes daqueles cujas mãos elas caíram. Podemos então ver porque Paulo em Romanos 13 refere-se às autoridades que atualmente “existem” como sendo instituídas por Deus e também o porque alguns teólogos protestantes diziam depois de 1933 que o governo de Hitler era “demonizado”, que tinha caído nas mãos de um poder demoníaco. Se digo isso, não é simplesmente porque quero dizer que a atitude da primeira geração cristã não foi unânime, que juntamente com a linha principal, conforme a qual o Estado deveria ser destruído, havia uma linha mais matizada (embora nenhuma exigisse obediência incondicional). O ponto principal para mim é quando Paulo em Colossenses 2:13-15 diz que Jesus venceu o mau e a morte, e também diz que Cristo “despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”. No pensamento cristão, a crucificação de Cristo é a Sua verdadeira vitória sobre todos os poderes, tanto celestes quanto infernais (não estou dizendo que existem, mas expressando a convicção diária), pois somente Ele foi perfeitamente obediente à vontade de Deus, inclusive aceitando o escândalo de sua própria condenação e execução (sem entender totalmente isso: “Deus meu, por que me abandonaste?”) Embora Ele tivesse dúvidas sobre sua interpretação e missão, Ele não tinha dúvidas sobre a vontade de Deus e obedeceu perfeitamente.”

Então assim concluímos nossa reflexão sobre o contexto de autoridade relatada na bíblia. Que para o cristão, além dos reinos humanos, haviam um governo celeste, o que Eller atribuía como ‘anarquia de Deus’, que agia contra as ‘arquias’ dos homens. Mas que o cristão deve manter o papel pacífico, não-violento, mesmo quando se opõe as injustiças do Estado. Porém que o espírito profético deve se opor aos governos déspotas, assim como João Batista fez com Herodes, e assim como Jesus e os discípulos fizeram.

Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.
Em virtude da graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu.
Romanos 12:2,3

impeachment

Mediante a sessão de Impeachment no dia 17 de abril de 2016, nos discursos dos deputados a justificativa religiosa foi muito pautada. Muitos usaram da representação dos evangélicos para justificar a luta contra a corrupção. Chegaram até citar denominações, provavelmente o qual eles fazem parte, e devem usá-las como curral eleitoral.

Em seus discursos constavam o combate à corrupção. Lembro-me de um dos deputados alegarem que pediu a sabedoria de Deus, e que foi orientado a votar a favor do Impeachment. Quando se atrela isso ao posicionamento de Deus, como se Deus chancelasse tal decisão, parte o pressuposto que Deus está ciente da situação e que aprova o Impeachment. A questão que fica é que como o discurso é contra a corrupção, e se vale fazer uma legenda dicotômica de quem é a favor do Impeachment e quem é contra, atrelando que o Partido dos Trabalhadores é a causa da corrupção, alegação feita várias vezes, imagina-se que quem está ao lado destes deputados religiosos são isentos de qualquer acusação de corrupção. O que não é verdade.

Inclusive o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que pertence a Bancada Evangélica, e que também está envolvido em escândalos de corrupção, o qual é réu do STF, também fez um discurso religioso para pautar a sua decisão. Ao que me parece, olhando com uma perspectiva de fora do cristianismo, este deus que eles servem é caolho, pois só consegue ver um lado dos problemas. Como se a corrupção estivesse apenas do lado oposto.

Isto reforça quando se analisa que grande parte desta Bancada Evangélica, há alguns anos atrás eram aliados ao PT. E agora eles alegam que o PT representa a vontade de satanás, e até o chamam de “Partido das Trevas”. Será que o deus deles não revelou que o partido era maligno quando eram aliados? Pelo que eu saiba, muitos casos de corrupção do PT remetem a essa época, será que não tinham ciência disto?

Ultimamente tenho lido muito o livro “Anarquia Cristã” de Vernard Eller. Ele tem um posicionamento muito interessante a respeito de tudo isso, e gostaria de tentar contextualizar o pensamento dele, se for possível:

“Primeiramente, o exercício das políticas mundanas repousa sobre uma infundada confiança na competência moral dos seres humanos – mais particularmente, sobre o erro extremamente arrogante de atribuir superioridade moral categórica a partidários de uma “verdadeira” ideologia sobre aqueles de qualquer outra. Essa orgulhosa reivindicação estende-se não apenas à sabedoria moral (“Nós sabemos o que é certo e ninguém mais sabe”) mas também à autoridade moral (“Por conta de estarmos certos, isso justifica nosso uso da propaganda, manifestações, boicotes e todas as táticas de poder ao impor nosso ‘direito’ sobre aquelas pessoas que sabemos estarem erradas”). Políticas mundanas são alicerçadas sobre pretensiosas reivindicações de superioridade moral – das quais o evangelho cristão não reconhece nenhuma.
Em segundo lugar, uma característica primária das políticas mundanas é a sua invariável formação de uma “batalha contraditória”. Deve haver uma batalha. Um partido, ideologia, grupo de causa, lobby, ou bloco de poder que se auto-designa como “O Bem, a Verdade e a Beleza”, prepara-se para dominar, oprimir, vencer, ou impor-se sobre quaisquer grupos opostos que pensam que eles não merecem tal título. Se essa disputa de poder entre os moralmente pretensiosos é o que se entende por “política”, então Eller e companhia estão de fato felizes de serem chamados de “apolíticos”.”

Isto expressa bem a conjuntura atual do nosso país. Ao se posicionar contra a corrupção, se nomearem como emissários de Deus para se fazer justiça na terra, mas ao dependerem de coligar com grupos que também são corruptos, mostra a ineficiência do homem em fazer política, e o quanto que mais ele se compromete com legendas, mas toma uma postura anti-cristã.

E o discurso da família Bolsonaro expõe bastante isso, ousam falar em nome de Deus, inclusive pertencem ao Partido Social Cristão, porém fazem apologia a regimes genocidas, e apoiam atos como torturas, perseguições, exílios, e morte. Seria possível Jesus solicitar a um de seus seguidores que apoiem tais atos? No discurso ele homenageia o comandante Ustra, indivíduo que foi responsável pela tortura da Dilma. Será que Deus se agradaria de tal ato?

Na lógica se a proposta é apresentar uma dicotomia entre as posições, onde há um polo mal e o outro bom, supõe que o lado em que ficar o político religioso, seria o polo bom. Então vemos estes políticos apoiando candidatos envolvidos em corrupção, ou pior, estes políticos religiosos sendo os envolvidos, então compreendemos que é impossível fazer tal dicotomia, entre governo bom e governo mal.

Eller conclui esta parte de forma fenomenal, a ponto que ele expõe qual deveria de fato ser o posicionamento de um discípulo de Cristo. Então percebemos que os deputados religiosos estão totalmente equivocados:

“Entretanto, alegamos que há outra forma de política – outra forma de ação afetando a polis – que o evangelho pode aprovar totalmente. Dessa forma, ao invés de um partido mundano se auto proclamar como juiz moral sobre todos os outros, a nossa ação política deveria ser a submissão ao julgamento moral de Deus sobre tudo e todos humanos (o julgamento, isso é claro, cai primeiramente sobre os partidários de Deus). Mais do que escolher lados, essa política deveria ser criticamente não-partidária de toda batalha e de jogos de poder. Deveria ser uma intenção política de meditação e reconciliação de adversários, ao invés de apoiar o triunfo de uns sobre os outros. Deveria ser uma teologia política de libertação com o intuito de libertar a humanidade de nada mais do que sua escravização por parte da política mundana.”

Segundo Eller, o cristão não deveria aumentar as barreiras, apresentando uma proposta dicotômica, demonizando um lado, e divinizando o outro. Como se este lado bom, fosse o emissário de Deus para corrigir a sociedade. A proposta cristã deveria ser pautar a justiça, independente de lados, ressaltar a Graça, visando a reconciliação dos lados e estudando as propostas de ambos, e apoiando o que fosse benéfico para a sociedade. Mas sabemos que o discurso de “nós contra eles” rendem muitos votos. É por isso que ícones políticos como Jean Wyllys e Jair Bolsonaro, são praticamente dependentes um do outro, esta polarização faz com que nichos da sociedade apoiem um conforme ele se opõe ao pensamento do outro. Infelizmente isso faz com que ambos permaneçam no poder.

Agora vem um questionamento que inclusive já fiz aqui. Porque os deputados religiosos estão focados na mera moralidade, visando apenas regular o sexo alheio. Falta posicionamento deles quanto a propostas de fato relevantes para a sociedade, que possam ver tais propostas e encarar como um avanço da sociedade, e como diz a Palavra que devemos ser luz do mundo. A verdade é que não vejo estes deputados religiosos iluminando nada.

Ou autor, que inclusive inspirou muito o primeiro, é Jacques Ellul. Ellul tem um posicionamento até mais radical que Eller quanto o papel político do Cristão. Em seu livro “Anarquia e Cristianismo”, o autor critica o apoio das instituições religiosas apoiando grupos específicos do governo:

“Tem se desenvolvido uma espécie de corpo que praticamente todos os grupos cristãos aceitam, mas que não tem nada em comum com a mensagem bíblica, seja na Bíblia Hebraica, que chamamos de Antigo Testamento, ou nos evangelhos e epístolas do Novo Testamento. Todas as igrejas respeitam escrupulosamente e oferecem suporte à autoridade do Estado. Elas transformaram o conformismo em uma grande virtude. Elas toleraram injustiças sociais e a exploração de pessoas umas pelas outras, declarando que é vontade divina que alguns sejam senhores e outros servos, e que sucesso sócio-econômico é um sinal externo de bênçãos divinas. Elas inclusive transformaram uma Palavra de liberdade e libertação em moralidade, o mais espantoso aqui é que não pode existir uma moral cristã se realmente seguirmos o pensamento evangelizador. O fato é que é muito mais fácil julgar erros de acordo com uma moral estabelecida do que enxergar as pessoas como um todo vivo e entender porque elas agem como agem. Finalmente, as igrejas instituíram um clero equipado com conhecimento e poder, embora isso seja contrário ao pensamento evangelizador, como foi inicialmente realizado quando os clérigos eram chamados de ministros, o ministério sendo serviço e o ministro um servo dos demais.”

Ontem vimos deputados citando as denominações aos quais eles estavam representando. Mas será que o papel dele seria representar uma instituição, e não o povo em si? E isto nos leva a questionar quais os interesses da instituição ter alguns deputados lá?

Ellul aborda de forma exortativa que a interferência da religião cristã na política está totalmente associada com o emparelhamento clerical, formando uma casta religiosa e atrapalhando o aspecto evangelizador do cristianismo.

Segundo o autor, este apoio político-religioso, acaba dando precedentes para o conformismo, salvo quando a oposição segue os interesses dos poderosos, e principalmente que toleram injustiças sociais, em nome de sua legenda. Além de que pautam a moralidade religiosa como bandeira. Sendo que o Evangelho é o contrário. Jesus criticava os fundamentalistas religiosos que só pautavam a moralidade, e ensinou o dever de lutarmos por justiças sociais. Ou seja, o exercício destes religiosos está todo controverso ao que foi ensinado por Cristo.

O engraçado é que autor expressa um ponto de vista muito interessante deste apoio religioso a grupos políticos, o quanto eles são maleáveis, e seguem interesses que não são de Deus, mas se respaldam na “vontade de Deus” para se justificarem:

“É sobre o conluio com o Estado. Desde os dias de Constantino (e durante muitos anos importantes historiadores duvidaram da sinceridade dessa conversão, vendo na mesma um ato puramente político) o Estado tem supostamente sido cristão.26 A igreja recebeu uma grande ajuda em troca. Assim, o Estado tem auxiliado a forçar pessoas a se tornarem “cristãs”. Foram dados importantes subsídios. Locais de culto foram salvaguardados. Privilégios foram garantidos ao clero. Entretanto, a igreja também teve que permitir que imperadores interferissem em sua teologia, às vezes decidir o que seria doutrina verdadeira, convocar concílios, supervisionar a nomeação de bispos, etc. A igreja também teve que apoiar o Estado. A aliança entre trono e altar não vem da Reforma mas do século V. Tentativas foram feitas para se separar os dois poderes, o temporal e o espiritual, mas estes foram confundidos constantemente. Como eu citei anteriormente, o papa se tornou o papa interno, o imperador o externo. As muitas cerimônias (coroações, te déums), tinham em seu íntimo a idéia de que a igreja deveria servir ao Estado, ao poder político, e garantir a submissão do povo a isso. De sua maneira cínica, Napoleão disse que o clero controla o povo, os bispos o clero, e ele próprio os bispos. Ninguém mais poderia mostrar de maneira mais clara a situação real de que a igreja era um agente de propaganda do Estado. Obediência às autoridades era também um dever cristão. O rei era designado divinamente (embora tenha surgido uma dissidência sobre como confirmar isso), e dali em diante desobedecer o rei era desobedecer a Deus. Mas não podemos generalizar. Estou apontando aqui o que é ensino oficial, aquele do alto clero e da política da igreja (tanto entre ortodoxos como luteranos). Na base, entretanto, entre o baixo clero, a posição era muito menos certa. No que diz respeito ao período que eu conheço melhor, nos séculos XIV e XV, na maioria das revoltas camponesas o clero marchou com seus paroquianos como revolucionários e freqüentemente encabeçava os levantes. Entretanto, o normal era se tornar um massacre.

Devemos nos perguntar se as coisas tornaram-se diferentes sob sistemas democráticos. Muito menos do que possamos imaginar! O pensamento central ainda é de que o poder vem de Deus. Conseqüentemente o Estado democrático também é de Deus. O estranho é que isso era uma idéia antiga. Desde o século IX alguns teólogos estabeleceram que todo poder vem de Deus através do povo. Francamente, entretanto, isso não levou diretamente à democracia. Em democracias “cristãs” encontramos uma aliança similar à já descrita, exceto pelo que a igreja agora tem menos vantagens. Em democracias laicas há uma teórica separação completa, mas esse não é o caso. A igreja tem demonstrado muita incerteza teológica nessa área. Na França, a igreja foi monarquista com os reis, imperialista com Napoleão e republicana com a República (com alguma hesitação por parte dos católicos romanos, mas não dos protestantes). O melhor exemplo é que a igreja, onde pode, se tornou marxista em territórios comunistas.

Sim, de fato, na Hungria e Tchecoslováquia, as igrejas reformadas tornaram-se abertamente comunistas com Hromadka e Bereczki. E na URSS não podemos esquecer que durante a guerra, em 1941, Stalin pediu apoio à Igreja Ortodoxa (através de empréstimos, por exemplo), e a igreja estava feliz em fazê-lo. A Igreja Ortodoxa, então, é uma apoiadora do regime. A Igreja Católica Romana é menos complacente, mas não devemos esquecer que com Hitler, se não ajudaram diretamente o regime, o apoiou na Alemanha. O papa fez até mesmo um acordo com Hitler. O caso é que não importa a forma de governo; nos altos escalões, e em suas diretivas, a igreja sempre está do lado do Estado.

Na esfera comunista, também nos lembramos de um país latino-americano como a Nicarágua, onde o comunismo se instalou graças a Igreja Católica Romana e a teologia da libertação. O único exemplo claro de oposição é o já conhecido da Polônia.

Ao mesmo tempo que as igrejas de adaptaram às formas de governo, elas também adotaram as ideologias correspondentes. É interessante destacarmos a igreja no ocidente que pregou uma cristandade universal cobrindo toda a Europa, transcendendo diferenças nacionais, ao mesmo tempo que o Império era (ou pretendia ser) universal. Com a divisão do ocidente em nações, a igreja também se tornou nacional. Joana d’Arc foi certamente uma cristã nacionalista pioneira. A partir do século XVI as guerras se tornaram nacionais, e a igreja sempre apoio seu próprio estado. Isso levou ao Gott mit uns que é um objeto de desprezo para os céticos e de escândalo para os crentes. Quando duas nações vão à guerra, cada uma tem certeza de que Deus está ao seu lado em uma incrível distorção do pensamento bíblico, embora estejam lutando a batalha alegórica do Apocalipse e o inimigo político seja Satã.”

Ao ler o texto fica totalmente compreensível como o PSC antes era da base do PT, e hoje é um de seus maiores opositores. Isto mostra também que há uns anos atrás os líderes religiosos ensinavam em suas igrejas que a autoridade é estabelecida por Deus, e que não devíamos questioná-las, cabia a nós apenas orar por elas. E já hoje, quando conveniente, eles incitam vigílias para orar pelo fim do governo, usando pautas do combate à corrupção, mas fazendo vista grossa que o governo que irá assumir é até mais corrupto.

De forma alguma eu diria que os cristãos não devem se envolver com política. Tenho o meu posicionamento como anarquista, não acredito na legitimidade da eleição que colocou a Dilma no poder, da mesma forma que não acredito na legitimidade da representação dos deputados que iniciaram com o impedimento dela exercer a função. Mas creio que a participação do cristão na política deva ser diferente da que ocorre nestes dois milênios de cristianismo. O cristão deve participar mais em ações para se manifestar a Graça de Deus na terra, e isto inclui a justiça, do que propriamente tomar posicionamentos conforme interesses de legendas aliadas, para atender caprichos de financiadores de campanhas que estão por trás do jogo.

Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles.
Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal;
E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo;
Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.
Mateus 20:25-28

anarquia-igreja-sem-hierarquia

O que queremos abordar aqui são os conceitos de hierarquias que as igrejas institucionalizadas passaram a adotar, mas que este nunca fora o propósito de Cristo para a igreja. Jesus nunca desejou uma igreja em formato social piramidal, como na gestão das empresas, ou em qualquer outro tipo de formato de instituições seculares que equivocadamente se ensina nos cursos de teologia, como o Erastiano, Episcopal, Presbiteriano, Congregacional e Pastoral.

Lembre-se que após de Jesus não há mais casta sacerdotal, pois constituiu a todos como reis e sacerdotes (Apocalipse 5:10); o véu do templo que separava o santo dos santos se rasgou para que todos tenhamos acesso irrestrito a Deus (Lucas 23:45); e agora só há um Mediador enter nós e Deus, que é Cristo (1 Timóteo 2:5).

Vale ressaltar também que toda vez que os discípulos disputaram entre si quem era o maior, por pura vaidade, Jesus os repreendera duramente, como pode ser visto em Marcos 9:33-35 e em Lucas 22:24-27.

Postamos uma série de vídeos que abordam o assunto. Os vídeos contém legenda em português, basta clicar no botão de legenda no cando inferior-direito.

“Lavrastes a impiedade, segastes a iniquidade, e comestes o fruto da mentira; porque confiaste no teu caminho, na multidão dos teus poderosos.
Portanto, entre o teu povo se levantará um grande tumulto, e todas as tuas fortalezas serão destruídas, como Salmã destruiu a Bete-Arbel no dia da guerra; a mãe ali foi despedaçada com os filhos.
Assim vos fará Betel por causa da vossa grande malícia; de madrugada o rei de Israel será totalmente destruído.”
Oséias 10:13-15

anarquia-voto-nulo

O que é o voto? O voto ou sufrágio é uma manifestação do assentimento ou não assentimento de uma determinada proposição feita ao eleitor. Em termos práticos é uma autorização que dá a determinado político para te representar. Ou seja,você abre mão de seu poder de decisão e o delega a outra pessoa. Estes representantes depois de eleitos irão atender as expectativas daqueles que estão próximos a eles, muitas vezes, pessoas de má índole com objetivos obscuros e oportunistas. E o voto não existe outro fundamento que não seja legitimar este representante a assumir o poder.

“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.”
Simone de Beauvoir

Quando se tem um sistema ao qual há políticos como representantes, ao qual compõem uma classe com poder de decisão, estes cargos são atraídos por pessoas com interesses de manipular a sociedade, de dominá-la. Do contrário, seus esforços não estariam em segregar o povo das decisões, mas sim de incentivar a sua participação. E se o povo participa, logo este cargo não é mais útil.

“Os anarquistas sabem que um longo período de educação precisa preceder qualquer grande mudança fundamental na sociedade, uma vez que não acreditam na miséria do voto, nem em campanhas políticas, mas sim no desenvolvimento de indivíduos com pensamento autonomo.”
Lucy Parsons

Então entenda que não há outro sentido para a representatividade que impedir o povo de tomar decisões. Assim, os políticos eleitos podem se encher de comparsas para atender suas expectativas e anseios. Não precisa ir refletir muito na quantidade de privilégios e o estilo de vida ao qual eles usufruem. Agora podemos compreender que questões como combate a corrupção não é um ato decisório do Governo, já que faz parte de sua essência.

“Para a burguesia, nada melhor do que a luta partidária e eleitoralísta dos partidos operários. Ela sabe perfeitamente que, por esses meios, o proletariado se afasta cada vez mais da sua verdadeira luta, e adia, continuamente, o dia da renovação social que há tanto tempo vem sendo desejada.
A luta política, dentro dos quadros legais do capitalismo, é uma luta essencialmente burguesa”
Jaime Cubero

Sendo assim chegamos a uma segunda pergunta. O porque anarquistas não votam? Simples, anarquistas não desejam o Governo e nem compactuam com ele. Ou seja, para o anarquista que acredita em uma política horizontal, ou seja, auto-gestora, ao qual todos são aptos a tomar decisões pela sociedade, já que todos compõem a sociedade. Tendo em visto estas questões, entende-se que não há sentido em eleger alguém. E que enquanto esta for uma opção não haverá mudanças significativas, já que o Governo terá sempre uma postura paternalista ao qual, coloca a sociedade como uma criança indefesa que deve ser cuidada, assim estão legitimados a continuar explorando-a enquanto fingem dela cuidar.

“Se o voto mudasse alguma coisa, eles o tornariam ilegal.”
Emma Goldman

Nossas esperanças não devem estar depositadas em jogos políticos. Eles não servem para o interesse da sociedade, pois desda campanha seus objetivos já são mentir e atacar, pois vale-se tudo pelo poder, e ainda mais para se manter lá. As forças do anarquistas devem estar focadas por pressionar o Governo até ele ceder e cair como um castelo de cartas. Não estamos aqui para defender partidos, mesmo que estes tenham origem trabalhadora e com ideais de esquerda. Assim que chegam ao poder seus discursos e atos mudam em virtude daqueles que os cercam, pois já não são compõem mais as mesmas classes do qual são de origem.

“Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.”
Mikhail Bakunin

Logo percebemos que há muitas pessoas que desejam uma revolução social, mas estão se esforçando para fortalecer ainda mais o Estado, contribuindo com partidos que agora dizem ter compromisso com a sociedade, mas de fato, seus objetivos são apenas para tomar o poder. E aos poucos os ideais sociais vão dando espaço para ações que se fortalecem mais, buscando segurança de sua posição privilegiada. A verdadeira revolução virá do povo.