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Em seu nome lançamos pedras

Publicado: 28 de dezembro de 2016 por Plínio em Cristianismo
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“Nesse sentido, devemos concordar com a visão do cristianismo e de outras religiões de que Deus é “bom”. Mas não vamos apressar o andar da carruagem. A Lei Moral não embasa a ideia de que Deus é “bom” no sentido de indulgente, suave ou condescendente. Não há nada de indulgente na Lei Moral. Ela é dura como um osso. Exorta-nos a fazer a coisa certa e parece não se importar com o quanto esta ação pode ser dolorosa, perigosa ou difícil. Se Deus é como a Lei Moral, ele não tem nada de suave. De nada adianta, a esta altura, dizer que um Deus ‘bom’ é um Deus que perdoa.”
Trecho de C. S. Lewis em ‘Cristianismo Puro e Simples’.
atirar-pedras

Tenho refletido sobre a postura simplista de alguns religiosos de como tratam uma vida cristã. E fazendo uma analogia moderna penso em algo assim:

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não construímos templos em todos os lugares? em seu nome não compramos emissoras de televisão e rádio para levar nossa instituição aos quatro cantos? não legislamos as leis conforme as suas doutrinas? não sujeitamos o povo aos seus preceitos, mesmos os que não são seus seguidores? em seu nome não atacamos infiéis? não fomos nós que expulsamos de nossos templos aqueles que discordam de nós, e não fizemos ostracismo com eles? em seu nome não compramos bens e gozamos do luxo para mostrar uma recompensa espiritual? não foi em seus nome que capitamos muitos recursos para acumular em nossas instituições ou em nossas contas bancárias? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”
Poderia ser Mateus 7:22,23, se Jesus estivesse falando do povo hoje. Mas em Mateus 7 Jesus fala de um confronto a religiosos com coisas que eles fizeram boas, mas provavelmente com intenções erradas. Hoje vemos instituições totalmente perdidas, voltadas para si, e que ainda muitas coisas ruins são feitas, com as intenções mais torpes ainda.
Há uma falta de compreensão sobre o ministério de Jesus, e inclusive os mandamentos que ele deixou para nós. Amor. Em trecho de ‘Evangelho do Maltrapilho’, Brennan Manning, nos deixa claro sobre estas questões, e a quem Jesus considera próximo:
“Jesus, que perdoou os pecados do paralítico, reivindicando dessa forma autoridade divina, anuncia que convidou pecadores, e não os de justiça-própria, para sua mesa. O verbo grego usado aqui, kalein, tem o sentido de chamar um convidado honrado para jantar.
Jesus afirma, com efeito, que o Reino de seu Pai não é uma subdivisão para os justos nem para os que sentem possuir o segredo de Estado da salvação. O Reino não é um condomínio fechado elegante com regras esnobes a respeito de quem pode viver ali dentro. Não; ele é para um elenco mais numeroso de pessoas, mais rústico e menos exigente, que compreendem que são pecadores porque já experimentaram o efeito nauseante da luta moral.
São esses os pecadores-convidados chamados por Jesus para se aproximarem com ele ao redor da mesa de banquete. Essa história permanece perturbadora para aqueles que não compreendem que homens e mulheres que são verdadeiramente preenchidos com a luz são aqueles que fitaram profundamente as trevas da sua existência imperfeita.”
Voltando a nossa analogia, caberia dizer: “em seu nome é a puta que pariu”? Mas ao refletir melhor, uma comparação seria uma ofensa a várias mulheres que sem condições acabam comercializando uma das únicas propriedades que possuem e que é de interesse de outros, o corpo. Mas mesmo o ato sendo feita por dois, somente ela é recriminada. Afinal não existe um adjetivo pejorativo para o cara que paga uma prostituta.
Ah! Por falar em prostituta, isso me lembrou da Madalena, aquela que Jesus a livrou da condenação dos religiosos que queriam uma sociedade sem impurezas, com apenas cidadãos de bem. Mas Jesus disse para os que não tiverem pecado, que atirassem pedra, e com este embate, constrangidos eles avaliaram que ninguém seria capaz.
Porém hoje as pedras são lançadas a todo tempo.
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